Nos últimos dias tem acontecido um reboliço sem igual no Brasil sobre um caso que chamou muito a atenção da mídia e da população: em uma parte nobre do Rio de Janeiro um rapaz menor de idade (15 anos) foi linchado e preso pelo pescoço em um poste por uma trava de motocicleta — totalmente nu.
O rapaz seria até então um meliante já conhecido na região, famoso por praticar roubos em transeuntes e moradores. Inclusive, já tem uma ficha policial de respeito para sua idade: roubo e agressão.
O menor foi socorrido pelos bombeiros, que precisaram usar um maçarico para cortar a trava de motocicleta, e levado a um hospital próximo para o atendimento adequado de seus ferimentos. O rapaz foi atendido e antes que qualquer autoridade pudesse fazer qualquer pergunta sobre o ocorrido, o rapaz fugiu do hospital sem mais nem menos.
Daí em diante já viu: aparece todo tipo de gente se dizendo contra essa “barbárie”, que onde já se viu tratar violência com mais violência, que são gangues de pitboys que vem atacando a pobre, negra e indefesa pessoa.
O próprio rapaz “vítima” disse que eram trinta agressores que vieram em quinze motos (antes, tinha relatado que eram três agressores). E que estava em companhia de mais três amigos, dois conseguiram fugir logo quando apareceram os trinta pitboys motoqueiros surgidos do inferno, e depois o outro amigo conseguiu fugir no meio da pancadaria. Claro, os trinta agressores se interessaram muito mais em espancar apenas um e não os quatro no melhor estilo “Deixa os outros fugirem, nenhum dos trinta motorizados conseguiria ir atrás deles mesmo”.
No mínimo essa história soa estranha.
Sobre o ocorrido com o rapaz; alguns colocam a culpa na violência, outros no preconceito e ainda outros na polícia despreparada. A verdade é que o problema é muito mais profundo e complicado. Vivemos em uma realidade aterradora onde boa parte dos ladrões e assassinos de nossas metrópoles são menores de idade e a nossa lei não ajuda quando acontece algo nesses casos. O menor não pode ser detido por não poder responder como adulto legalmente, então ele é solto. Simples assim.
Já ouvi dezenas de casos em que o menor infrator é preso e logo em seguida, libertado.
A população não aguenta mais esse tipo de descaso. No Brasil pagamos muito caro por nossos produtos e bens para correr o risco de na próxima esquina perdemos tudo. Trabalhamos muitos e pagamos impostos muito altos para ver que nada é investido em segurança pública ou em leis que favoreçam mais o cidadão e menos a criminalidade.
O judiciário se tornou tão cego que deixa que menores infratores passem por debaixo de suas togas. E a polícia (que já nem é tão boa assim) se desestimula, porque sabe que o trabalho e o risco que vão correr para prender um bandido menor de idade não valem a pena. Porque ele vai trabalhar, se esforçar, talvez se ferir ou morrer para logo depois descobrirmos que sua prisão resultou em liberdade. E quem paga por toda essa inanição do Estado é o cidadão — que cada vez mais se cansa de sofrer calado e é obrigado a se manter desarmado, porque aqui isso é crime, e isso dá cadeia.
Um amigo próximo chamado Marcelo sofreu um sequestro relâmpago no ano passado. Dois menores de idade o abordaram na porta de casa, ambos armados, levaram seu carro e o fizeram de refém. Marcelo tem esposa e dois filhos. Durante todo o trajeto até os comparsas que iriam pegar o carro para dar fim nele, os dois meliantes apontavam um revolver calibre 38 e uma garrucha velha para a cabeça de Marcelo falando repetidamente que ele iria morrer se tentasse qualquer coisa suspeita, e que eles não se importariam em matar ele, porque eram menores de idade e pra eles isso “dava nada”. A sorte do meu amigo é que policiais que faziam ronda notaram o veículo suspeito e começaram uma perseguição que no final acabou com um foragido, outro detido e o Marcelo são e salvo.
Ele teve sorte. Nem todas as histórias terminam bem assim.
Por conta da perseguição, o prejuízo ficou por conta da vítima, seu carro foi avariado no meio de toda essa história.
Na hora em que o menor infrator já estava rendido, Marcelo fez o que muitos de nós faríamos também: deu um murro bem dado na cara do malandro. Os policiais o impediram de continuar a agressão, pois disseram que o infrator poderia dar queixa contra ele, e ele poderia ser preso. Já o rapaz seria solto no máximo em três dias.
Bandido não está vendo quem ele vai roubar ou matar, ele não se importa se o seu dinheiro é para dar comida para o seu filho ou remédio para sua mãe. Não está ligando se você é uma boa pessoa e nunca fez mal a ninguém.
A vida é física pura: toda ação tem uma reação. Todo mundo é contra a violência até que uma violência sem precedentes chegue até você e sua família. Como diria o personagem V do filme “V for Vendetta”: Violência pode ter o seu uso. — quando a coadjuvante reclama das mortes dos corruptos (graças a uma pequena ajuda involuntária dela), mas não reclamou quando o protagonista matou os homens que tinham tentado estuprá-la.
Somos desamparados pelo Estado, e segurança não é uma opção. Violência é o ideal? Não, não é. Mas é o que temos. E que venha a Copa!
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