pedro e a brisa

(em comum você e o mar, só tem a brisa)

Ela quis saber de quem era a música, achava bonita.

- Você já parou pra pensar que hoje pode ser o último dia que a gente está se vendo?
- Credo, Pedro! Isso é deprimente!

Mas ela estava errada, aquilo não era deprimente. Mais tarde Ana entenderia tudo.

- E toda vez que eu penso que aquilo que estou vivendo pode ser a última vez sinto uma angústia!
- Eu não sinto angústia, sinto é um ar de tristeza, sei lá…
- Não, isso que você chama de sei lá é a angústia. Sabe por quê?

A curiosidade disfarçada de Ana fez suas sobrancelhas se erguerem.

- É que toda vez que eu penso nisso me dá um desespero pra saber, pra checar, sei lá, se tudo que eu queria viver foi de fato vivido!
- Que filosofia barata, você consegue coisa melhor, vamos combinar! — desdenhou.

Enraivecido, Pedro puxou um dos fones do ouvido de Ana, que já cantarolava a música que a fez ficar apaixonada.

- Que grosseria!
- Também acho! Eu falo e você fica brincando com um assunto que é sério!
- Que sério, Pedro? Você acha mesmo que isso é um assunto sério? Faça-me o favor, me quebra essa…
- É que você não entendeu o que eu quis dizer!

- Você me ofende falando isso! Eu entendi, sim senhor, tanto que eu gostaria de saber uma coisa.

Ele se virou.
Coração, sábio como sempre, desconfiou.
Ficou acelerado.

- Se esse for mesmo o último dia que a gente vai se ver, o que você gostaria de fazer?

Pedro a beijou.
E Ana sussurrou: eu te amo tanto.

PS: música foda do Dimitri BR

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