por que desapegar é tão difícil?

Estou pensando em vender o meu carro. Sei lá, ando meio cansado. Talvez de saco cheio mesmo, não sei bem ao certo. O carro tem virado uma comodidade incômoda nos meus dias, tem sido o protagonista do meu estresse diário, da minha dor de cabeça e o eco das buzinas tem botado um medo danado no meu sono quase todas as noites. A verdade é essa, cara pálida, não tem como fugir: andar de carro não anda me fazendo bem. Os contras andam com mais força do que os prós.

É a vida, não?

Mas não quero falar sobre o meu carro aqui (desculpe-me se você achou que o discurso seria contra o carro). Só quero falar sobre essa coisa chata que é desapegar — e bota chato nisso, meu Deus. Isso é mais complicado do que trigonometria, mais duro do que a cabeça do João, meu amigo, e mais triste do que a morte do Jack em Titanic.

Desapegar é o verbo perder disfarçado, é o fim dos argumentos, é quando todas as possibilidades chegam ao fim, quando todas as portas se fecham e o que resta, enfim, é deixar de lado. Desapegar é o plano B — que, sempre como todo plano B, não deixa de ser um pouquinho indesejável. É aquilo que você não queria fazer, mas que não teve outro jeito, que não teve outra saída.

Cá entre nós, agora eu acho que entendo o sofrimento daqueles que precisaram, um dia, se desapegar de um coração. A dor deve ser maior, o corte é mais profundo e o buraco bem mais embaixo. Deixar de lado quem um dia te fez sorrir porque, sei lá, o destino não quis que as coisas continuassem ou porque um dos dois achou melhor parar com tudo é triste (pra não falar desesperador). Desapegar é um embate entre a razão e a emoção que coloca no chinelo qualquer Corinthians e Palmeiras. É um clássico.

Desapegar faz sangrar às vezes, é verdade, mas não mata — isso talvez seja o único consolo disso tudo.

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