Sabe a culpa? Então, comi!

Esqueci-me de todos os discursos que escuto diariamente a favor da boa forma naquela noite e embiquei o meu carro na entrada do McDonald’s. Estava muito a fim de experimentar o Grand Cheddar McMelt — sem cebola. E assim foi. Entrei no restaurante com o peito estufado, carregando uma certeza absurda de que aquele crime que eu estava prestes a cometer seria a melhor coisa a se fazer no momento. Olhei-me no espelho do banheiro e ignorei qualquer possibilidade de eu achar que estava gordo.

Dei um foda-se em silêncio e sorri ao atendente.

Comi o lanche como se fosse a última coisa do mundo. Pra não dizer que não fiz um exercício físico sequer no dia, me levantei umas três vezes para pegar mais guardanapos. Sim, me lambuzei com o cheddar como se fosse uma criança comendo Danoninho escondido da mãe. A diferença é que não comi escondido de ninguém — nem da minha culpa. E é sobre isso que quero falar.

A culpa é a tal pedra no meio do caminho, que o poeta certa vez escreveu. É uma pedra gigante que fica no meio do caminho da nossa felicidade, que sussurra quase sempre nos nossos ouvidos frases proibitivas e sem graça. A culpa é chantagista — se comer, você vai colocar no chão toda a sua dieta, essa é a sua chantagem preferida. Ok, mas e daí? O crime compensa?

A culpa, ops!, a escolha é sempre sua.

Mas agora me diz: quantas e quantas vezes você não deixou a culpa pautar sua vida sem se ligar? Quantas vezes você já não recusou convites para tomar um chope numa noite de segunda-feira quente pelo fato de ser uma segunda-feira? Já pensou se, numa dessas vezes em que a culpa te fez ficar, você poderia, sei lá, ter encontrado o amor da sua vida (pra ser um romântico-apelativo) ou “apenas” seria uma noitada bacana?

A vida é um sopro para sentirmos culpa.

Escolha ser feliz e deixe a culpa para quando realmente for necessária.

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