A tendência de saturar

Toda vez que vou discutir sobre vídeo games e lembram do passado da industria as pessoas me martelam com a mesma pergunta: “Poxa, mas porque raios ninguém faz um jogo desse gênero? Certeza que estouraria!”, por mais vago que pareça, essa frase pode ser enquadrada em momentos como quando alguém fala sobre os jogos de corrida não trazerem mais os famosos “pegas” de rua e carros tunados ou mesmo os esquecidos jogos de plataforma collect-a-thon que faziam um sucesso enorme e hoje não passam de lembranças, eu acho que nunca respondi essa pergunta pra ninguém, porém eu tenho minhas teorias.


Lá em meados de 2005 pra 2007 (Sim, eu acabei de criar um “meados” utilizando três anos, acostumem-se) alguns gêneros em especial estavam tendo sua época de ouro, os jogos de plataforma como Jak 3, Ratchet & Clank e Sly Cooper eram tendência no PS2 de todo mundo, porém se você não era muito de jogar esse gênero posso ter certeza que adorava um FPS e que não ficava um dia sem seu Medal of Honor, Call of Duty ou Battlefield, sem contar que se você já tinha um gostinho de competição, ia para as lan houses com os amigos jogar Counter Strike, o problema é que o tempo foi passando, mais e mais jogos desses gêneros foram sendo lançados, mais e mais jogos foram empurrados em você e com isso um sentimento foi batendo em seu peito, que a gente chama de “enjoar”, sabe quando você come muito doce e seu estômago não aguenta mais? Então, era exatamente o sentimento com esses jogos.

Hoje estamos perto do fim de 2016 e acredito que tem bastante gente com o estômago bem ruim pra um atual gênero, os jogos de mundo aberto. 2015 foi um ano fenomenal pra industria dos jogos, nos tivemos títulos excepcionais como The Witcher 3, Metal Gear Solid V, Fallout 4, e quem acha que isso parou por lá está muito enganado, 2016 teve Far Cry Primal, The Division, No Man’s Sky e tem mais pra sair ainda, temos mais mundos se abrindo para nós nos próximos anos, mas o que provável você já percebeu aqui é como o “mundo” das tendências é bem fechado e padronizado.

“Poxa eu já estou entendo aonde você quer chegar, mas os jogos são um mercado, eles precisam vender, eles precisam lucrar, então tentar estabelecer seu produto numa área de conforto é bem melhor que arriscar!” É nessa hora meu caro amigo leitor que eu digo que você respondeu aquela pergunta lá de cima, sabe o motivo de não ter nenhum jogo daquele gênero que você gostava muito? Porque a moda não é essa e por mais que todos implorem pra trazer gêneros antigos de volta, sempre vai rolar aquele medo de arriscar e acabar não agradando ninguém.


Eu sei que parece reclamar de boca cheia, já que sinceramente eu adorei boa parte desses jogos que citei acima, o problema é que eu sempre tive a concepção que jogos é a forma final da arte, o momento onde o receptor consegue não só interpretar a informação como também viver e até mesmo sentir o que aquela obra quer trazer pra você e por isso eu fico muito decepcionado quando o mercado utiliza algo tão sublime de forma tão precária. Hoje eu vivo fugindo das grandes empresas e correndo para os desenvolvedores independentes para conseguir absorver um sentimento verdadeiro dessa arte e eu já consegui me conformar que infelizmente não tem pra onde correr, o mercado sempre vai viver de tendências, e a tendência sempre é saturar.