Hearthstone é simples, mas nada convidativo

Como todo texto que eu escrevo nesta plataforma o título entrega tudo que eu vou falar abaixo, andei jogando Hearthstone pela “primeira vez” nesse mês de agosto de 2017 e devo dizer que tenho sentimentos bem mistos sobre tudo que eu passei, alguns momentos eu estava eufórico e muito feliz com os combos que eu conseguia fazer, outros era apenas frustração de assistir meu adversário usando cartas mirabolantes e eu simplesmente não ter nada para counterar aquilo, mas não vamos botar a carroça na frente dos bois.


Eu joguei Hearthstone pela primeira vez lá em 2015, na época do beta, mas meu vício em Magic não me fez durar no jogo, então o meu contato inicial pode ser dito como neste ano. Ao entrar pela primeira vez no jogo tanto tempo depois, não foi muito difícil de saber o que fazer, já tenho uma experiência de mais de dez anos com jogos de cartas, então na minha cabeça seria basicamente ‘entrar, montar um deck simples, jogar, conseguir mais cartas’, o que eu não estava esperando era a quantidade esdruxula de cartas, os decks de cada classe inicial do jogo são tão simples que chegam a frustrar, porém você pode upar o nível da classe lutando com a AI para conseguir algumas cartas básicas, até ai parece ok né? Lutar com o NPC, além de muito fácil, não te recompensa de uma forma benéfica, parece um tempo perdido que pode até virar uma experiência ruim pro novato, se ele não tem conhecimento sobre jogos de carta, ficar enfrentando uma AI tão simples como a que eles liberam, cria manias ruins no jogador que ele provável vai repetir na partida contra jogadores reais e vai se frustrar bastante. Decidi então que ia enfrentar jogadores no modo “quick match” pra upar, já tinha conseguido pegar nível 20 na minha classe ladina e decidi que estava com algumas cartas pro combate PVP, eu não poderia estar mais enganado.

O PvP quick-match não parece ser dividido em absolutamente nada, como o jogo se baseia apenas no nível dos seus decks, lutar com alguém de “qualquer nível” é possível pelo quick-match, peguei partidas onde o jogador invocava cartas absurdas que limpavam o campo e não me davam nenhuma chance de contra defesa por dois motivos, o primeiro é que meu deck é de novato, então estou totalmente na desvantagem e segundo, Hearthstone tem um combate tão simples que não existe meios de você interagir com o turno do seu inimigo, isso é um dos pontos negativos mais fortes das mecânicas o jogo, na minha opinião já que jogos como Yu-Gi-Oh! tem mecânica de interação com turno e ele não é tão simples quanto Hearthstone (Disclaimer: Simples não quer dizer ruim amigos, tudo bem? Eu adoro Yu-Gi-Oh!, tanto que escrevi um texto sobre o Duel Links já). A falta de balanceamento deixa o PvP para novatos um campo de derrotas onde ele torce para conseguir uma vitória contra alguém pior que ele em qualquer momento, foram poucas as vezes que consegui vencer usando minhas habilidades que consegui em todos esses anos de TCG.

Pensei em jogar o modo Arena, já que meu conhecimento me ajudaria a montar um deck legal pra batalhar e seria algo mais balanceado né? Errado novamente, o modo arena imita um estilo de draft onde ambos os jogadores estarão prontos para uma batalha que exige conhecimento de suas cartas, mas no fim é um exemplo unilateral de desbalanceamento num card game, além disso, forçar a ideia que o novato precisa gastar seu único recurso gratuito, as moedas do jogo, para tentar aprender mais sobre as suas mecânicas e classes é algo bem injusto, sem contar que não existe curva de aprendizagem na arena, obviamente por ser um estilo de jogo para quem já tem um conhecimento mais amplo dos decks, inimigos, combos e counters possíveis, ou seja, você novatinho, não entre na burrada de jogar arena cedo demais.


Quando estava meio cabisbaixo com a minha experiência, ganhei três boosters bem legais da nova expansão, abri e acabei não pegando nada de legal, porém foi bem recompensador perceber que mesmo eu, com tão pouco tempo de jogo, ganhei aqueles três boosters gratuitos que me chamaram atenção, uma pena que booster é caríssimo e não vale o esforço, só se você tiver bastante dinheiro pra gastar com isso, parece até que eu já vi esse tipo de coisa na minha vida, era de um outro jogo de carta, se não me engano… ah, claro! Magic: The Gathering.

Mas não é só de frustração que se faz Hearthstone, gostei bastante de como o jogo interage muito com o jogador utilizando recursos sonoros como dublagens, histórias divertidas no modo campanha e até mesmo efeitos visuais bem diversificados na batalha, além disso tudo o jogo permite o que eu gosto de chamar de “em casa e na rua” já que você pode jogar no PC e no aparelho mobile, isso tudo usando uma única conta e sendo “crossplay”, podendo assim convidar seus amigos para um duelo em casa mesmo. O combate do jogo ser simples é um ponto bem positivo também, convidar meus amigos para jogar Magic é uma tarefa bem complicada, ninguém quer aprender todos esses anos de cartas, modos de jogo, já Hearthstone é bem mais chamativo por todos esses efeitos visuais interessantes e pelo gameplay mais simples e fácil (Só sinto falta de umas carta counter pra jogar no meio do turno do inimigo, fazer deck de segredo só pra isso é algo bem incômodo). 
 Em suma, eu recomendo a experiência para jogadores de longa data de outros TCGs e também para pessoas sem nenhum conhecimento no gênero, porém para ambos os casos, tenham paciência, o começo é INFERNAL de cansativo.