ATIVISMO

Você já se envolveu em alguma atividade, de forma tão intensa, que outras áreas da tua vida ficaram em segundo plano? Eu já.

Pés no chão.

Demorei até começar a trabalhar, primeiro foi com 18 anos, meu pai tentou me blindar, no anseio de me ajudar, pensou que eu deveria pular a etapa do trabalho duro. Se dependesse dele, eu jamais teria passado pelo chão de fábrica, ele tentava me dar um padrão de vida que não condizia com a nossa realidade.

Minha mãe era que me puxava pro chão, a frase clássica era “teu pai acha que é rico, mas nós não somos ricos”. Fui muito privilegiado pela criação que tive, percebi o amor de um pai querendo dar o melhor para o filho, e o amor de uma mãe que não queria ver um filhos deslumbrado e mimado. Fui criado com equilíbrio.

Mas demorei para aprender a encarar as coisas com responsabilidade. Completar um ano no mesmo emprego foi uma vitória, antes disso, de uma hora pra outra eu decidia sair – motivos variados – virava as costas e “tchau pra ti”. O tempo foi passando e eu não perspectiva – concreta – para a minha vida profissional.

O choque.

Nos meus vinte e poucos anos passei por algumas decepções – confusões. Isso na vida profissional, sentimental e familiar. Foi quando me senti encurralado, sinuca de bico, beco se saída… a vida parecia um eterno “chove não molha”. Olhei ao meu redor e não encontrava nenhuma referência, inspiração… mas, cheio de orgulho e como um bom hipócrita, encontrava culpados para a minha situação.

Sempre tive um círculo de amizades grande, com isso conhecia pessoas dos mais variados “estilo de vida”. A maioria não me inspirava, olhava para alguns e considerava até mesmo frustrante. Em casa o casamento dos meus pais estava indo ladeira a baixo. Saí de um relacionamento meio bagunçado, um tempo depois entrei em outro que era organizado demais.

Depois do diagnóstico externo, foi a hora de olhar para dentro. Foi aí que “o bicho pegou”. Lidar com as falhas e bagunça alheia é fácil e tranquilo, botar dedo na ferida dos outros não dói no nosso dedo. Mas quando comecei a dar conta das minhas falhas, ver a minha bagunça e cutuquei nas minhas próprias feridas… a coisa começou a mudar.

Exatamente: mudar.

É clichê, mas é a mais ura verdade “você deseja que o mundo mude? Comece a mudança por você”. Este período de descobertas, veio acompanhado de constrangimento, normalmente não levaria isso além. Afinal, estava vendo quem eu era de verdade, e o que estava descobrindo não condizia com o que eu gostaria de ser. Mas por que seguir neste processo? Como estou conseguindo ter força para esta incomoda auto-avaliação?

Eu culpava meu pai pelo fracasso do casamento dele, a minha família estava “terminando”. Foi quando eu poderia dizer que ouvi uma voz, mas não foi algo audível, veio na verdade como um pensamento. Que diferença isso faz? A ideia de ouvir uma voz remete a algo que vem de fora pra dentro. Mas o pensamento faz o caminho inverso, concorda? A verdadeira segue este curso, de dentro pra fora.

O que ouvi? “Você culpa o teu pai pelo fim da tua família, não percebe que se continuar no ritmo que está nunca vai conseguir construir uma”. Entender isso não foi um tapa na cara, foi uma porrada. E doeu, muito.

“Em construção…”
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