Arquétipos Astrológicos

O interesse em fenômenos cosmológicos envolvendo os astros, sempre um foi objeto de interesse para o ser humano. Se passarmos dos “magos” do oriente até os ciganos pós-modernos, vemos que sempre procuramos entender o futuro e o que nos espera. Somos, inicialmente, desesperados por previsões. Sejam elas boas ou ruins.
Particularmente não sou um entendedor de astrologia. Meu interesse é bem superficial. Até por que, como cristão, não acredito nesse tipo de previsão. Mas o que mais me interessa nessa discussão, são os arquétipos de relacionamentos que a nossa geração usa com base na astrologia.
Algum tempo eu estava conversando com uma amiga sobre astrologia e ela vira pra mim e fala: “Eu não me relaciono com Cancerianos” — Eu retruquei: Como assim? Se a pessoa disser que é de Câncer você não fala com ela? — Sim, por que toda vez que me relaciono com um, acabo me dando mal”
A conversa me gerou a seguinte reflexão: Seria o signo um novo tipo de seleção interpessoal? Quero dizer, hoje fazemos questão de afirmar que não somos preconceituosos, mas ao mínimo descuido adotamos um novo critério para avaliar o próximo. — PS: Eu não acredito e nem confio em pessoas que dizem que não possuem preconceitos, aviso logo.
No ambiente universitário é tiro e queda ver esse tipo de situação. Alunos conversando sobre seu mapa astral, dizendo o quanto sofrem por conta de seus signos e tudo parece ser consequência de uma obra do Zodíaco. Bem até ai estaria tudo tranquilo, até por que é uma questão de fé. Cada um acredita no que bem entende. — Apesar de que a Astrologia do ponto de vista medieval se apresenta muito mais como um problema cosmológico do que mero exoterismo, mas não vou me adentrar nisso por que não possuo o conhecimento necessário para falar disso.
O ponto que eu quero chegar é: Cada vez mais, percebo que as pessoas usam a Astrologia não somente como critério de seleção social, mas como uma válvula para falarem de si mesmo sem se comprometerem. Um exemplo: Chegue para uma pessoa que seja fascinada por astrologia e pergunte: Quem é você? — Provavelmente ela vai te dar uma resposta um pouco vaga e com alguma carga de verdade. Agora experimente perguntar sobre o mapa astral dela. Eureka! Ela vai te dar toda a descrição da Lua, do Sol, de Vênus, do Ascendente, do Inferno Astral, etc. Ou seja, ela vai montar um arquétipo do que ela seria (ou pensa que seria). Se esse arquétipo é verdade ou não é outro assunto, mas o fato é que muitos usam dessas estrutura para se autoavaliarem ou invés de usarem a reflexão pessoal como espelho de medida. Vejo que é aí que mora o perigo, pois deixamos de trabalhar a nossa personalidade por conta de um certo “determinismo”.
Ainda sobre essa reflexão, penso que ela é construída em conjunto com uma interação social mais aprofundada. Devido a um certo individualismo exacerbado, acabamos sofrendo de uma deficiência cognitiva e esquecemos de olhar para o outro e tentar, a partir de uma análise sincera, conhecê-lo além desses arquétipos que são apresentado.
Então é algo do tipo: “Fulano é assim por que é de tal signo”.
O que disse pode parecer exagerado (e nesse específico caso é, por que nem todas se portam assim), mas coloquei dessa forma para justamente provocar a crítica de que devemos olhar para nós mesmos e para os outros além das fórmulas fixas. Por que o ser humano é mais do que isso.
Vinícius Sales
Libriano com ascendente em Sagitário.