Cálice

Em passos erroneamente certos,
Volto a encher o velho cálice.
Volto a encher com vinho e lágrimas,
E me ponho a tomar.

Mas ele está vazio,
Furado pela inconstância,
Maculado pela angústia,
Violado pela melancolia

Toma este conhecimento,
Te embriagas com o concreto (o real),
Usa-o para juntar os blocos insanos,
E elucubra esta vivência inconformável.

Terás dor ao saber,
Ao conhecer,
Que estás sozinho.

Saberás então,
Que o ser humano é,
(E sempre procurará ser)
Utópico,
Fraudulento
E irreal.

Os que não bebem,
Dormem,
Sonham,
Fazem planos para o ano passado
E morrem no presente.

Por isso beba e viva,
Mesmo sofrendo,
Viva.

Vinícius Sales