Clichê

O que penso sobre o amor?
Clichê.
Que resposta poderia dar a tal pergunta, se não a verdade?
O que poderia escrever sobre algo que todos escreveram?
(Até essas perguntas são clichês)
Novidades?
Não.
O amor é a única coisa velha que o ser humano insiste em tratar como novo.
É o sentimento que namorados carregam no bolso ao sair de casa.

Como uma carteira de cigarro,
Fumam desesperadamente,
Esperando o prazer pelo número de beijos consumidos em cada tragada.
E quando acabar?
Que compre outro!

Não há felicidade eterna neste mundo,
Por que haveria de ter no amor?
Prepotência humana.
Perguntas de qual amor me refiro:
De qualquer um que aloque dois seres humanos em um mesmo espaço.
Qualquer que seja,
Não importa,
Continua brega.

Irônia do destino,
Hoje estou amando.
De repente (não mais que de repente) todo o clichê parece irrelevante ante ao sentimento puro.
Meus versos perderam o sentido, mas comprovam que não sei (que na verdade ninguém sabe) nada sobre amor.
E que os poetas românticos nunca souberam o que escreviam, mas apenas tateavam no escuro um sentimento tão iluminado.

Vinícius Sales