O problema chamado Rajon Rondo

Texto postado primeiramente no blog Chicago Bulls Brasil, em 14 de novembro de 2016.

Rajon Rondo está sendo um dos piores jogadores do Chicago Bulls e quando ele está em quadra, o time joga pior. Desde que o big three, composto por ele, Wade e Butler, foi formado, todos apontavam que o encaixe desses três atletas seria difícil e o camisa #9 é quem mais está sofrendo com isso.

Vindo de uma boa temporada com o Sacramento Kings, na qual a equipe conseguiu a melhor campanha dos últimos oito anos, Rondo chegou ao Bulls para jogar de uma forma diferente. Acostumado a ser o maestro em quadra, era certo que o armador teria uma drástica queda do tempo de bola nas suas mãos, já que Dwyane Wade e Jimmy Butler também têm a característica de ficar bastante tempo com a laranja. O grande problema nessa mudança é que sem a bola, Rondo não preocupa a defesa adversária, que o ignora completamente para dobrar ou oferecer ajuda contra outros jogadores do Bulls.

Jeff Teague opta por deixar Rondo livre e ajudar a conter a possível infiltração.
Dennis Schroder opta por deixar Rondo livre e ajudar a conter a possível infiltração.

Essa estratégia defensiva é aplicada porque Rondo não é um bom chutador. Ele está aproveitando apenas 25% das bolas de 3 em 2016/17. Justamente por causa disso, outro quesito do ataque chicagoano está sendo prejudicado. O pick and roll está sendo neutralizado facilmente pela defesa adversária quando Rondo o executa. Os marcadores estão passando por trás dos corta-luzes e evitando qualquer troca de marcação ou passe para o big man. Claro que, com isso, o armador tem espaço para arremessar, mas e daí?

Goran Dragic opta por passar por trás do corta-luz de Robin Lopez.
Elfrid Payton opta por passar por trás do corta-luz de Taj Gibson.

Não se pode dizer que Rondo compensa de um lado da quadra o que não faz do outro (coisa que Gibson, Lopez e Butler fazem). Ele não é o mesmo jogador que foi eleito quatro vezes ao Melhor Time Defensivo do Ano. Seu físico e agilidade fazem com que Rondo seja um alvo fácil para os jovens armadores da NBA, que estão cada vez mais rápidos, fortes e com melhor chute. Quando Rondo está em quadra, o Bulls leva 110,8 pontos a cada 100 posses. No momento em que ele está no banco, esse número cai para 101,5 pontos.

Tanto Rondo como Hoiberg podem agir para amenizar esses problemas. A melhor partida do armador na temporada foi contra o Heat, a qual o Bulls jogou melhor quando Rondo foi mais agressivo em relação à cesta. Ele tem boa finalização perto do aro e deveria fazer das infiltrações um hábito, para além de pontuar, conseguir chamar a atenção da defesa e encontrar arremessos livres para seus companheiros.

O quinteto que era composto por jogadores reservas comandados por Wade teve boas atuações no começo da temporada, mas tem piorado a cada partida que passa. Talvez já seria a hora de tentar algo novo e colocar Rondo para fazer o papel de Wade, o que se tornaria em um ótimo teste. Com bons chutadores ao seu redor (McDermott, Mirotic e Canaan), Rondo seria o “dono da bola” e poderia fazer o que fazia no Kings, servindo seus companheiros com jogadas que ele chamava.

    Vinícius Guimarães

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    Twitter: @viniguimaraes32

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