Promessas brasileiras se destacam no Adidas Nations Global

Texto publicado primeiramente no blog HSBasketballBR, em 09/08/2017.

Com jovens promessas do mundo todo, Houston sediou entre os dias 4 e 7 de agosto o Adidas Nations Global. O camp sub-19 dividiu os jogadores estrangeiros por suas origens e os brasileiros Yago Mateus, Gabriel Jaú, Michael Uchendu, Danilo Sena e João Vitor França não só participaram do Team Latin American como também lideraram a equipe e se destacaram entre todos os atletas do torneio.

Apesar de não terem treinado previamente juntos, o elenco do Team Latin America surpreendeu. Segundo o técnico do time, Walter Roese, quem convidou os garotos para o evento, esse foi um dos melhores grupos que ele já treinou no Adidas Nations Global. Sem o costume de jogar duas partidas por dia, os jovens tiveram essa dificuldade física e cansaço, mas nem isso os limitou de quase chegarem na final e terminarem no 3º lugar no campeonato. Esse é mais um sinal que essa nova “safra” de jogadores é especial. Confira quem são e como atuaram nos Estados Unidos.

No Adidas Nations Global, Yago não se intimidou com os atléticos americanos e fez jus ao apelido de “menino ousado”, dado pelo narrador Guilherme Maia. Na primeira partida, ele chutou 13 bolas de 3 e converteu 7 (aproveitamento de incríveis 53%) e seguramente chamou atenção de quem o assistiu. Prova disso é o vídeo exclusivo do canal HoopsDiamonds, que é dedicado ao high school basketball, mostrando as melhores jogadas do armador do Paulistano. “Levo de aprendizado que no basquete, ganha quem quer mais. Jogamos contra times melhores que o nosso e mesmo assim foram jogos duros”, declarou ao HSBasketballBR. Ao final do torneio, Yago terminou como o 5º melhor pontuador e líder em assistências e roubos de bolas entre todos os garotos.

Talvez Danilo Sena (99’) seja o jogador menos conhecido entre os brasileiros que se destacaram no Adidas Nations Global. O ala-armador do Pinheiros participou da LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete) com apenas 16 anos pelo time de Brasília e se transferiu para a capital paulista no ano passado, buscando, em um clube formador, competitividade e evolução. Ele ainda não teve uma oportunidade na rotação do time principal do Pinheiros, mas isso deve acontecer em breve. Com sólida mecânica de arremesso e muita rapidez nas infiltrações e contra-ataque, ele deve ser um dos próximos jovens a chamar atenção no cenário nacional.

Após atuação discreta no primeiro jogo, Sena flertou com um triplo-duplo contra o Team Canada. Foram 17 pontos, 7 rebotes e 7 assistências, aproveitando 60% dos arremessos. Ele e Yago foram os únicos jogadores do Team Latin America a terem mais de 40% de aproveitamento dos arremessos de 3 somando as 6 partidas jogadas.

Com a saída de Hettsheimeir no meio da temporada, Gabriel “Jaú” Galvanini (98’) passou a ter cada vez mais oportunidades na rotação do Bauru Basket. Além de possuir chute, mobilidade e pegar rebotes, sua noção de posicionamento é acima da média e não é por acaso que ele consegue fáceis oportunidades para pontuar perto da cesta. No jogo 2 contra Brasília, nos Playoffs, Jaú foi crucial. Ele teve 100% de aproveitamento nos 7 arremessos de 2 que tentou e terminou com 17 pontos em 18 minutos.

Gabriel Jaú e Danilo Sena no FIBA Americas U18 EM 2016 (Divulgação/FIBA)

Apesar de ser muito útil para o Bauru no espaçamento de quadra, Jaú não teve sucesso nos arremessos de 3 em Houston. Mas mesmo assim conseguiu se sobressair. O ala-pivô fez três duplos-duplos e terminou como o 3º melhor reboteiro do torneio. No último jogo, que valia o 3º lugar, ele foi o destaque, com 25 pontos e 11 rebotes e aproveitamento de 58% dos arremessos. “Poder saber novas dicas dos treinadores da NBA é sempre muito importante, além de ver quem são meus rivais fora do Brasil” disse ele ao HSBasketballBR.

Dupla de garrafão de Jaú, Michael Uchendu (98’) é o jogador com melhores atributos físicos de sua geração. Filho de nigeriano, ele começou a jogar basquete aos 13 anos e antes de se transferir para Bauru, passou pelo Clube Esperia e Círculo Militar. Seu atleticismo, envergadura (2,33m), ótima proteção de aro e vontade permitem que ele domine o garrafão. Essas qualidades foram muito bem expostas no FIBA Americas U18 no ano passado, quando Michael liderou o Brasil, com 11 pontos e 20 rebotes, à vitória contra a Argentina. Segundo Lucas Pastore, o jovem pivô já está no radar de times da NBA.

Michael Uchendu contra a Argentina no FIBA Americas U18 (Divulgação/FIBA)

“Atingi a minha meta, que foi mostrar o meu basquete e evoluir o meu jogo. Foi muito bom ter esse hype positivo dos scouts, olheiros e de todo mundo. A experiência foi boa e tenho certeza que abriu bastante portas para mim” disse “Maicão” ao HSBasketballBR, que como esperado, jogou de igual para igual com os americanos. Na estreia do camp, ele fez 20 pontos e 16 rebotes com aproveitamento de 72,7% dos arremessos. Com média de duplo-duplo no final, Michael foi o líder de rebotes do torneio e 7º pontuador.

Jogador mais promissor da base do Flamengo, João Vitor França (98´) também foi convidado para o evento. “O convite era algo que eu almejava e quando recebi, fiquei muito feliz”, disse ele ao HSBasketballBR. Tendo Jerome Meyinsse como inspiração, o pivô de 2,13m baseia seu jogo no pick-and-roll e o chute de média distância. Por mais que não tenha jogado tantos minutos como seus companheiros, o pivô aproveitou a experiência e mira longe: “Infelizmente não tive tantos minutos quanto esperava, mas o tempo que fiquei em quadra serviu para mostrar o que sei. Como surpreendi muitos scouts, recebi muitos conselhos sobre o que tenho que melhorar para chegar à NBA”.

O brasileiro Bernardo da Silva (00′) , que joga o high school por Wasatch Academy, também fez parte do Team Latin America, mas não teve tanto tempo de quadra e seus números foram bastante discretos.

Por conta da suspensão da CBB, Yago, Danilo Sena, Gabriel Jaú, Michael Uchendu, João Vitor e outros jovens infelizmente não puderam jogar o Mundial Sub-19 no Egito. O Adidas Nations Global foi uma ótima oportunidade de vê-los atuando juntos a nível internacional, e o resultado foi excelente. A trajetória está apenas no começo e seguramente vai valer a pena acompanhar a evolução de cada um deles até o auge no profissional. O futuro do basquete brasileiro, pelo menos dentro de quadra, está em boas mãos.

    Vinícius Guimarães

    Twitter: @viniguimaraes32

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