Cyber-segurança contra contra o cyber-feudalismo

Vivemos tempos de crescente perseguição aos movimentos sociais e toda forma de expressão voltada à ideologias progressistas. Quando juntamos à lei anti-terrorismo (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13260.htm) em posse de um governo fascista (https://www.youtube.com/watch?v=8bX7EdK0-1M), que assumidamente quer não vê problema nem com assassinato (https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-policial-que-mata-10-15-ou-20-deve-ser-condecorado-23019806), fica claro que a perseguição bate à nossa porta e devemos nos preocupar desde já com nossa segurança.

Neste artigo, busco discutir algumas práticas mínimas para ter uma vida mais saudável na inter em casos de: 1) perseguição política, feita através de pessoas com intenção de perseguir você pessoalmente; não é o caso para todo mundo, mas principalmente para participantes de movimentos sociais, em especial organizadores dos mesmos, e pessoas que tem voz publica na internet e, de alguma forma, chama atenção; 2) perseguição automatizada, praticada principalmente por megacorporações com o interesse de vender seus dados, vender propaganda personalizada, guiar seus interesses políticos, vigiar.

Entenda como seus dados são utilizados.

Nem toda criptografia do mundo te protege de suas próprias idiotices. Você precisa entender como empresas e perseguidores usam seus dados. Felizmente, existe um meio muito didático de começar a entender isso, o Data Detox: https://datadetox.myshadow.org/pt/detox.

Data Detox é uma iniciativa da Mozilla e de um coletivo que busca discutir a interseção entre direito humanos, civis e tecnologia, a Tactical Technology Collective. No Data Detox você seguirá uma planejamento de buscar compreender um pouco mais sobre como a internet funciona através de pequenos textos e intervenções feitas diariamente, durante 8 dias.

E lembre-se sempre do mantra: se você não pagou pelo produto, você é o produto.

Use VPN

Usar a internet sem VPN é como fazer sexo sem camisinha.

Seu provedor de internet, a Claro, NET, GVT, Vivo ou semelhante, sabe tudo o que você acessa. TUDO. Além dos evidentes problemas de privacidade, isso faz com que as empresas possam fazer coisas como traffic shaping, reduzir a velocidade da sua internet para alguns serviços enquanto aumenta para outros, ou até “oferecendo” alguns serviços “de graça” em prol de algum interesse obscuro (você acha que tem Whatsapp de graça por bondade?)

VPN (Rede Privada Virtual — Virtual Private Network) é uma forma de mascarar sua conexão com seu provedor de internet, tanto criptografando seus dados, quanto dizendo que sua conexão vem de outro lugar que não é seu compuador (como outro lugar do mundo mesmo). Isso faz com que seu provedor de internet não seja capaz de identificar que você é você.

Isso implica que sua velocidade será reduzida um pouco, chuto que por volta de 20% numa boa VPN. Aliás, boas VPNs são pagas. Se é de graça, você já sabe, né?

Tor é uma VPN bombada

Tor, The Onion Rings, é aquele negócio que os jovens usam para entrar na “deep web” e comprar dorgas. Só que também é uma ótima maneira de se manter anônimo na internet, além de ter acesso à outra rede, fora da .com comum, a .onion. Você pode acessar a intenet comum através de um nevador Tor e os dados de sua conexão estarão espalhados por todo o mundo, tornando virtualmente impossível de alguém te rastrear (se você não fizer alguma cagada).

Além disso, usar serviços de dentro do .onion, como e-mails anônimos, é uma ótima forma de se comunicar de maneira segura. Mas tenha em mente, que se você acessar um site através de um navegador Tor e acessar seu facebook, compartilhar informações pessoais, enviar um e-mail pra e-mail gmail, você ainda poderá ser rastreado. Engenharia social é mais eficiente que qualquer hack ultratecnologico. Busque conhecimento.

Use aplicativos criptografados para troca de mensagem e que tenham mensagem destrutíveis

Ninguém sabe ao certo se a criptografia do Whatsapp é segura (e ele é do Facebook, Facebook é mais mau que o pica-pau). Aplicativos como Telegram (telegram.org) e signal (signal.org) possuem criptografia e menságem que se destroem depois de um certo tempo (mas não confie em mim, pesquise). Lembre-se que se um policial, dotado de uma lei anti-terrorismo e ternura do policial carioca, mandar você desbloquear seu celular para olhar seu whatsapp, ele ainda será capaz de ver as mesnagens, mesmo com toda criptografia do mundo.

Fuja do Android e Windows

Eles sabem tudo sobre você e sofrem diversos problemas de segurança. Se for rico, use Mac e iPhones. Se for proletariado, como eu, use android com cautela e procure mudar para uma versão segura do Linux (existem muitos linux, alguns seguros, outros não).