A Era do Design: Os alquimistas ainda estão chegando

Design tem a ver com transmutar — modificar situações, reinventar maneiras e propor inovação.

Design é, fundamentalmente, solucionar problemas. Para isso, criatividade, tecnologia e comunicação são grandes aliados. 
A organização de uma atividade nesse âmbito é registrada em forma de (meta)projeto e demanda uma série de fatores: ideias, referências, parâmetros, estudos, métodos, experimentações, prototipagem e — last but not least — público-alvo.

Pesquisas de campo visitam comportamentos e hábitos individuais que, adiante, evidenciam as premissas iniciais para o desenvolvimento. Por vezes, os designers se esquecem do lado humano durante a produção — depuram características de um grupo, montam o perfil desse público e, pronto, não olham mais as pessoas durante o percurso de materialização.

No livro Consumo Autoral, Francesco Morace alerta à presença de um novo protagonista do mercado: o consumidor autor. Em outras palavras, projetos devem ser conduzidos para que o usuário participe, diretamente, das tomadas de decisão. Então, processos criativos ganham relevância, bem como a consciência no momento de adquirir algo.

Hoje, o que se busca por parte do usuário deixa de ser um mero produto; mais do que nunca, instaurar desejos exige contornar valores e propor vivências (antes, durante e depois da compra). Portanto, subjetividade está em foco: o projeto deve ser emocional, plural e atemporal, relacionando-se com o usuário. Estou falando sobre criar vínculos, ter empatia.

Empathy matters. It’s the ability to step into another person’s shoes, feel how uncomfortable those shoes are, and learn how hard it would be to walk a mile in them. [Trecho retirado do texto Be a Human Online.]

Se, antes, o verbo favorito no universo do design era inovar, agora é repensar (e além de artefatos, me refiro a ciclos, mecanismos, sistemas, estratégias e mentalidades). Aqui, vale a pena citar um termo, sem maiores pretensões: Economia Criativa.

O chamado “bom projeto” é complexo: abarca a multidisciplinaridade, potencializa o ato de sensibilizar e, para tanto, se utiliza de ferramentas singulares para gerar soluções óbvias. Esses argumentos, aparentemente soltos, são recebidos e instrumentados pelo Design Thinking — uma espécie de redesign do próprio Design.

Design Thinking is about stepping back from a problem and trying to understand the infinite possibilities before diving into one solution. [Trecho retirado do texto What is Design Thinking anyways?.]

O Design Thinking não é só um princípio industrial; é um princípio humano.