vinizei
vinizei
Nov 5 · 5 min read

se alinhar nos trilhos da vida não é uma coisa tão fácil e, portanto, eu não tenho domínio sobre. às vezes, por me deixar sentir um mundo acima dos meus ombros — amaldiçoado seja aquele que se deixa sentir e experienciar um espectro para além da realidade, quando o mundo exige racionalidade e explicações palpáveis. — é como se esses sentimentos tomassem posse de mim e eles por si mesmos decidissem para onde iriam, quando e como… e eu fico aqui, imerso neste oceano tão profundo quanto conversas às 3 da manhã que fogem do nosso domínio do próprio tempo.

o tempo. já reparou que ele corre paradoxalmente e não temos controle sobre ele? a medição do tempo surge com a finalidade de controlar a produtividade dos seres, na tentativa de otimizar tudo a nossa volta. mas, o tempo é aquilo que menos está ao nosso alcance e é aquilo que mais segue por conta própria. não temos controle de nada nessa vida, temos apenas a ilusão do controle. quanto tempo você esteve em mim?

eu não tive — e ainda não tenho — domínio sobre o que se trata de você em mim. tudo fugiu dos meus planos e eu me vi tendo que começar do zero com um sentimento que eu não tinha meios para lidar, mas que hora sim, hora não, pareciam ter tanto potencial em ser compartilhado. e eu percebo que sua presença no mundo por si só retira minhas poucas certezas de vida e me faz imaginar como nossas linhas nunca foram retilíneas e, depois que se encontraram, deixaram seus emaranhados por aqui.

já faz algum tempo que você tem aparecido nas linhas dos meus pensamentos, dos meus diários, das minhas sessões em terapia. já faz algum tempo que eu deixo uma imagem de você por aqui, pra que eu não me esqueça daquilo que durante uma vida me foi creditado.

amor e medo talvez sejam melhores companheiros do que amor e ódio. sempre tive medo daquilo que pode vir a ser bom, ser tranquilo. suave como a ponta dos meus dedos que descobriu cada parte do seu corpo, que contornou seus traços e terminou em seus lábios. é um processo que leva muito tempo e que precisa ser praticado e repetido constante, a cada segundo, pra que deslizes não aconteçam para que não se retorne ao ponto de partida. que desgastante o conflito dos sentimentos que transparecem ser bons, mas escondem terrores.

alguma parte de mim ainda se alegra com a sua companhia e ainda deseja a sua existência e o compartilhamento de ensejos, não vou negar isso. mas, há diferenças no olhar, no jeito de se referir… talvez, você esteja se tornando alguém normal pra mim, só que com acréscimos que talvez só existam aqui justamente por causa do tempo, aquele que parece que não aproveitamos e que toda noite eu volto até lá. aquele tempo que, nessa incessante tentativa de racionalizar, acaba por ser potencializado o seu caráter mais subjetivo e incontrolável. te deixar aqui é o meu modo de acessar um momento que foi bom e se encerra em si mesmo, tal como um imperativo categórico que me conduz às cegas mesmo que as luzes por aqui sejam tão brilhantes.

o que eu quero dizer é que eu te amo. de verdade. no sentido puro e sem pretensões. eu te amo pelo que eu tenho sonhado e principalmente pelo que eu tenho me tornado. eu te amo, mas eu também aprendi a me amar e principalmente a me permitir ser amado, o que você nunca se propôs a fazer. o que não é um problema ou motivo de culpabilização. é isso e somente isso. não se esqueça disso… eu não posso te dizer essas coisas enquanto tomamos um café e conversamos sobre a vida, então precisei versar isso daqui. me deixe saber da sua ciência.

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ao passo, você tem me mostrado o lado mais leve e tranquilo que a vida pode ter. oposto de tudo que eu tenho passado durante esses vinte anos andando sem rumo.

me tem colocado em dilemas sobre o que eu sempre desejei e procurei em tantos lugares. o equilíbrio entre o peso que se carrega nos ombros, peso este que muita vezes não é seu próprio, e a leveza do ser e estar. o quão contraditório pode ser esse sentimento tão leve, mas que leva consigo uma imensidão que importa. o leve que é pesado.

chegar até aqui me exigiu um esforço grande e não é fácil transformar tudo isso em linhas que soassem poéticas de modo satisfatório. meu eu lírico se encontra em escassez quando se trata de você, porque ele não sente que deve se derramar em tintas e papel para externalizar o que leva e guarda no peito. talvez porque já não se carrega sozinho, ou mais profundamente, nem se carrega. não é um peso sentir, não há — ou pelo menos, não deveria ter — medos.

eu te amo, num sentido genuíno que eu não preciso me desdobrar em linhas e versos pra provar o que sinto. eu posso fazê-lo diretamente com você, sem a gramática e sem a sintaxe. apenas com o discurso e a linguagem que emana dos nossos corpos.

você tem me mostrado como a vida é cheia de possibilidades e que tudo isso pode ser levado tranquilamente e sem ter que tornar tudo uma grande questão. às vezes, os problemas são dos nossos eu’s do futuro e eu escolho lidar com o nosso presente, nosso agora. e, ao contrário de todos, você insiste em permanecer, em aparecer e ser alguém que se faz querer estar e que entende a complexidade que esse ato tem em mim.

você é o cuidado, a bolha com pernas que não deixam prender. é a concretização daquilo que eu há tanto tempo tenho dito aos outros que nunca ouvem, que é possível sentir muito(s) sem medo e sem sufocos. você é o lado material do amor que me confunde por ser diferente de tudo que eu havia visto até então. me provoca a pensar que, aquilo que eu sempre tanto senti e desejei e que, outrora pensei que não fosse algo passível de acontecer em minha vida, se volta para mim e me faz entender que também sou merecedor daquilo que é bom.

se antes já era complicado mensurar, pôr em palavras o que é intransponível ao discurso linguístico, agora é ainda mais complicado. não será a organização do mundo através das palavras que irá conseguir dizer o que só o meu corpo aqui se propõe a falar. parece ser algo avassalador, da mesma forma que outrora pareceu, mas, assim como antes, é só um sentimento bom que não quer ser guardado dentro do peito. o contraste que se faz agora é como não há a imposição de fazê-lo sozinho. compartilhemos a vida sem brusquidão.

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