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Uma grande dúvida. O jornalismo sobreviverá?

Essa questão me persegue há alguns anos quando percebi colegas geniais com mais de 50 anos ficando desempregados. Propus ao Social Media Week uma palestra/reflexão sobre o tema na edição deste ano.

Dá pra traduzir essa interrogação em duas outras: A verdade sobreviverá? O jornalista sobreviverá?

Fiz uma seleção de dados provenientes de algumas pesquisas que trazem sinais tanto positivos, quanto negativos, nesse caminho.

Vamos começar pela primeira questão:

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Nestes tempos extremados, todos os espectros do campo político escolhem a imprensa como alvo.

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Após o atentado a Jair Bolsonaro, o General Augusto Heleno enviou um discurso por WhatsApp. O general da reserva foi o comandante da missão brasileira no Haiti e é um dos militares mais brilhantes que nós temos. Recentemente, ele se filiou ao PRP e é um dos estrategistas da campanha de Bolsonaro. Ouçam o que ele falou

Meses atrás , no discurso que fez antes de ser preso, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva também apontou o dedo para a imprensa. Veja um trecho:

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É o mesmíssimo fenômeno encontrado nos Estados Unidos. Donald Trump se aproveitou do termo criado para definir a poluição das redes para atacar todo jornalismo que o investiga. O presidente americano passou a chamar a CNN, a NBC, o New York Times,o Washington Post, enfim , a imprensa não alinhada de Fake News. Difícil… Diante desse quadro, a pesquisadora Claire Wadle sugere abandonarmos esse termo para nomear esse fenômeno e que passemos a usar DESINFORMAÇÃO.

A socióloga turca especialista no meio digital Zeynep Tufekci publicou um estudo recentemente no site Politico em que aponta que a “avalanche de discursos” presente na net acaba ameaçando a democracia, ao contrário do que se esperava… Leia um trecho do artigo:

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Qual o resultado disso tudo? A pesquisa Trust Barometer realizada pela Edelman apontou um recorde de discrença na mídia. Ela virou a instituição menos confiável no planeta… A Angela Pimenta, do Projor, destacou esse dado em algumas de suas apresentações:

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Vamos ao que nos traz o Digital News Report, um grande estudo mundial feito em dezenas de países que investiga o consumo de notícias, principalmente no meio digital. Alguns dados são animadores pra quem trabalha nos meios tradicionais…

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O uso das mídias sociais como fonte primária de informação está caindo, especialmente o Facebook. O Brasil se destaca no consumo/compartilhamento de notícias no Whatsapp e Instagram.

O acesso às notícias tem sido principalmente nos sites próprios veículos e pelos mecanismos de busca. Isso muda dependendo da idade.

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Algo que me preocupa bastante , como profissional de jornalismo que trabalha em TV, é como o público quer consumir notícia na internet. Qual o papel do vídeo ? Apesar da insistência do mercado publicitário e das mudanças de algoritmo das plataformas, a maior parte dos internautas ainda prefere o texto para se informar…

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A pesquisa também explora a credibilidade da imprensa. Quem consome informação, confia. Especialmente nos veículos em que ele está habituado a ler. Uma desconfiança nas notícias encontradas nas mídias sociais é apresentada. O Brasil é o país mais preocupado com as Fake News.

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Nos Estados Unidos, houve um fenômeno interessante no final de 2016 e que continuou em 2017 — o Trump Bump. A eleição americana aumentou o interesse no noticiário e elevou o número de assinaturas. Boa parte desse fenômeno se atribui ao apoio de democratas, adversários de Trump, aos meios que passaram a ser constantemente atacados pelo presidente.

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Algo que vem crescendo no mundo é o uso de campanhas de doação para a produção de reportagens específicas e para a manutenção de veículos.

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O leitor/espectador/usuário/internauta não conhece as dificuldades por quais os veículos estão passando. Se passam a ser informados disso, eles tendem a assinar ou colaborar.

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O Brasil apresenta algumas peculiaridades

  • a TV aberta permanece forte e o tempo do brasileiro na frente da tv continua aumentando
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E o problema geracional?

Uma dúvida permanente é a relação com a notícia da chamada Geração Millenials , os que tem hoje de 18 a 34 anos. O American Press Institute fez uma pesquisa importante e que encontrou resultados animadores nesse público.

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Voltando ao problema da credibilidade, a Kantar mapeou no ano passado como está a situação em quatro países — Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e França. A pesquisa Trust in news aponta que a população ao se defrontar com a poluição das fake news voltou para os veículos tradicionais.

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Junto com esse problema de credibilidade, a indústria passa por uma disrupção violenta. A crise econômica faz o dinheiro da publicidade diminuir amplificando o drama já provocado pela mudança do negócio em si provocada pelas plataformas. Nisso, como fica a empregabilidade do jornalista? Vamos a alguns dados assustadores:

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O meio impresso vai virando água… (será que era isso que o Bauman chamava de Modernidade Líquida???)

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A startup Business Insider tem uma área de inteligência de mercado que produz relatórios impactantes. Separei dados de dois que retratam a realidade americana. Apesar de parecer distante, acadêmicos brasileiros costumam dizer que passamos pelas mesmas situações cinco anos depois. (Discordo um pouco disso…)

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Os cents digitais são abocanhados por Google e Facebook. Saímos de monopólios de comunicação locais para seguir no caminho de quatro oligopólios mundiais — Facebook, Google, Amazon e Apple.

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A próxima tabela algo que também vivenciamos no Brasil. Apesar das dezenas de canais no cabo, a audiência se concentra em uma pequena parte. Aqui, ela fica nas abertas principalmente.

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O próximo slide mostra um ponto que pode modificar o modelo de negócio. Os veículos podem sobreviver se tornando produtores de conteúdo para as plataformas? A receita seria remuneração pela produção e não publicidade ou revenue share.

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Vamos a alguns sinais que nos deixam um pouco otimistas…

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1. O Twitter mudou sua missão e deu certo…

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Passou a ser referência:

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Diferentemente de quase toda sua história, o Twitter teve três trimestres consecutivos de lucro.

2. Multiplicam-se experiências de colaboração. Inclusive no Brasil. Veículos tradicionais e startups trocam experiências e conteúdo.

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3. A busca por outros pontos de contato com o leitor

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O Washington Post criou um programa dentro do Twitch — rede social de transmissão de games.

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4. Veículos se juntam pra se defender

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Centenas de jornais americanos publicaram editoriais no último 15 de agosto contra os ataques de Trump à imprensa. Separei alguns links deles:

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5. Jornalismo como bem e serviço público

Acaba se sair um livro escrito pelo ex-editor chefe do The Guardian que grita a necessidade do jornalismo se manter nessa posição.

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5. ainda dá pra fazer um estrago…

A principal reportagem deste ano vem de um gigantesco repórter do alto de seus 75 anos que abala um governo de um país do tamanho dos Estados Unidos com um livro (?!??!?!)

São alguns sinais…

Prometo ir atualizando conforme for encontrando outros…

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Written by

projeto de Rodrigo Hornhardt / comunicação, jornalismo, tv, cultura etc

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