Vivemos em bolhas de realidade, onde tudo é relativo.

Virgilio Magalde
Jul 27, 2017 · 4 min read

O que é realmente certo ou errado? Quem é bom ou mau? Quem é vítima? Quem é culpado?

Em vários textos que escrevo está presente essa constatação de que tudo na nossa vida é relativo. Conceitos como moralidade, bem e mal, culpado e vítima, vida e morte, longe e perto, amor e ódio, certo e errado, cura e doença, ser ou não ser, pecado e liberdade, bom e ruim, entre outros.

A princípio podemos não concordar muito com isso, temos várias regras, leis, dogmas, crenças e teorias sobre os temas acima.

Para isso, convido a você a refletir sobre a realidade: o que eu penso é a mesma coisa que o outro pensa? Quando olho um objeto tenho o mesmo pensamento e sentimento de qualquer outra pessoa?


Tempo…


Existe apenas um planeta terra e bilhões de pessoas… ou seriam bilhões de planetas (bolhas de realidade) na terra?!

Vou falar um caso clássico. Eu gosto de filme de terror mas muita gente acha esse tipo de filme bobo, e ainda muita gente tem medo. Eu apenas gosto. Se o mesmo filme passar, isso vai gerar várias reações diferentes. Logo, algo que existe pode ter diferentes significados para diferentes pessoas. Minha avaliação sobre o filme vai ser sempre baseada na minha perspectiva, ou seja, sempre será relativo ao meu mundo e minhas crenças.

Podemos dizer que vivemos numa bolha de realidade, conceito muito utilizado no budismo. Que cada um possui sua própria realidade, enxerga seu próprio mundo e age de acordo com tal.

Se quisermos falar que existe uma realidade única (um acontecimento geral e único), abaixo dela sempre terão as bolhas de realidade — A realidade de cada um.

Nosso pensamento é tão nosso que ainda falamos que o Sol nasce x horas e se põe y horas, mesmo tendo estudado que ele não nasce e nem vai embora, ele está ou não visível aos nossos olhos. A diferença está relacionada a nossa observação, em parte do mundo agora é dia e outra parte é noite, e ainda tem dias de sol longos e curtos.

Se cada um tem a sua bolha de realidade, o que acontece nela pode só ser verdade para mim. Tudo que eu vejo pode ser relativo.

O computador, tablet ou celular na sua frente está bem sólido, não é? Mas se eu falasse que ele é mais espaço vazio do que matéria? Pode ser um absurdo, mas é isso mesmo. Assim como o nosso olho não capta micro e nano partículas (precisamos de instrumentos para isso) e assim como nosso ouvido não capta todas as frequências sonoras, nossa realidade nunca vai ser absoluta. Nunca estamos vendo tudo e percebendo tudo.

Logo, tudo será relativo as nossas limitações humanas e individuais. Até nisso o universo foi criativo.

Todas as regras servem para nos balizar, para termos o mínimo de convivência, o mínimo de justiça, o mínimo de moralidade, o mínimo de ética e assim possamos nos organizar socialmente.

Não vou abordar aqui a questão religiosa, pois esse é um tema polêmico e muito pessoal. E respeito a crença de cada um. Mas uma coisa podemos
ver, que cada religião também possui sua própria realidade, sua própria bolha.

As leis, regras, dogmas e religiões estão aí. É uma decisão nossa segui-las ou não, e receber/entender a consequência de cada escolha.

Justiça ou injustiça? Não matarás — lei bíblica, mas ele matou alguém. Vai sofrer as consequências no mínimo jurídicas disso de acordo com nossas regras sociais.
Entretanto, pode ter sido em legítima defesa, que tem outra consequência jurídica, mas que também vai contra uma lei bíblica.

Viu como isso tudo se torna relativo enquanto vamos conhecendo melhor a história/realidade?

Culpados e vítimas? Mas se de acordo com a minha realidade cada um está cumprindo o seu papel. Um só existe se tiver o outro.

Doença e cura? Quem cura quem da doença ou morte, se mesmo contra a nossa vontade a morte chegará até nós? Sobre essa perspectiva, toda cura é o prolongamento de uma doença implacavel predestinada: a morte. O maior câncer pode ser todo o nosso corpo.

Moral e Ética? Muitas vezes nossas ações não condizem com nossos pensamentos ou imagens! Uma pessoa na rua desesperada lhe pede dinheiro, mas o que ela necessita mesmo é de tratamento digno e um emprego, mas você a “ajuda” dando um real. Você está ajudando mesmo ou está só tentando manter sua imagem de boa pessoa?

Quanta relatividade, não é?

Dessa vez não proponho um exercício, apenas uma consciência. Quando se pegar julgando, pense que tudo é relativo e que aquela pessoa age de acordo com a sua bolha de realidade.

“A realidade é meramente uma ilusão, apesar de ser uma ilusão muito persistente” Albert Einstein.

Om

Virgilio

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