Inteligência não tem nada a ver com educação

Eu acho que se pode medir a inteligência de uma pessoa pela capacidade que ela tem de se comunicar. Você pode conversar com alguém que nunca foi à escola e que não sabe escrever, mas se a pessoa fala de modo coerente fica claro que ela é inteligente.

Por outro lado, os estudiosos, os acadêmicos, que insistem em falar “palavras difíceis” são, para mim, o maior exemplo da “ignorância de dicionário”. Ninguém que fala como se escrevesse uma tese de doutorado deveria ser chamado de inteligente ou de gênio, como muitas vezes são chamadas. E sabe por quê? Porque não existe mérito nenhum em não se fazer entender.

Vocês querem um exemplo disso? Então vamos à definição de niilismo encontrada na Wikipedia: O niilismo pode ser considerado como “um movimento positivo” – quando pela crítica e pelo desmascaramento nos revela a abissal ausência de cada fundamento, verdade, critério absoluto e universal e, portanto, convoca-nos diante da nossa própria liberdade e responsabilidade, agora não mais garantidas, nem sufocadas ou controladas por nada”. Mas também pode ser considerado como “um movimento negativo” – quando nesta dinâmica prevalecem os traços destruidores e iconoclastas, como os do declínio, do ressentimento, da incapacidade de avançar, da paralisia, do “tudo-vale” e do perigoso silogismo ilustrado pela frase de Ivan Karamazov em Os Irmãos Karamazov, personagem de Dostoiévski: “Se Deus está morto, então tudo é permitido” (na verdade trata-se de mera interpretação de um diálogo desenvolvido entre os irmãos Karamazov, com a “intervenção” do Diabo). Entende-se por Deus neste ponto como a verdade e o princípio.

Tem necessidade disso? Eu tenho a certeza de quem escreveu isso foi alguém que SE ACHA, que pegou os livros de filosofia da faculdade e transcreveu, cheio de adjetivos como “abissal” e “iconoclastas”. Pode ter a certeza de que essa pessoa, aliás, está desempregada. Primeiro porque estudar filosofia é um passaporte para o desemprego. Segundo que ninguém que esteja empregado se dá ao trabalho de editar um artigo desse na Wikipedia.

Mas tem gente que acha que só se falar dessa maneira vai ser valorizada como ser humano. Porque não é possível.

Imagine quem coloca no status do Facebook: “Não há nada no Big Brother que satisfaça à fenomenologia kantiana. Somos, de fato, o eu como feixe, de Hume”.

Meu amor, você está comentando Big Brother. Não é porque você está citando filósofos que você é melhor do que o que está votando no paredão. Vocês são exatamente a mesma pessoa!

Não. Minto. Quem escreve isso é idiota. Quem assiste a Big Brother não. E eu conheço tanta gente assim. Acho que tem muito a ver com a profissão que escolhi, em que você PRECISA ser o mensageiro da sabedoria. Em que a arrogância é quase um mecanismo de defesa e que, sejamos sinceros, costuma ser premiada.

Ahh como eu queria poder compartilhar com vocês alguns dos “status” que eu leio de certas pessoas. Para escrever esse post eu entrei em alguns perfis e deixei que o ódio me alimentasse a cada rolagem de página.

Ninguém é mais inteligente por citar Nietzsche. Aliás, se o seu objetivo é comentar o filme que está passando no “Tela Quente”, citar Nietzsche te faz mais ignorante, pois, no fim, você não está se fazendo entender. Só está se exibindo.

Like what you read? Give Vitor Rosalem a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.