“Eu não sou homofóbico, imagina!”

“Só acho que você não deveria ficar falando da sua sexualidade, sabe? Ninguém precisa saber, é algo seu, entre quatro paredes. Também acho que não deveria demonstrar afeto publicamente, porque né? Sabe como é a violência e, infelizmente, você vai estar permitindo isso. Eu não sou homofóbico, mas tem muita gente ai que é.

Eu? Homofóbico? Imagina! Sou teu amigo, amo você por quem você é. Mas acho que deveria se impor mais, o pessoal fala de você rindo, sabe? E eu não consigo te defender porque você dá mole. Acho que deveria malhar mais, ficar mais forte, sabe? Você ai, todo delicadinho, magrinho, ‘mulherzinha’…. só dá ênfase ao que pessoal diz sobre você. Vai por mim: se você parecer mais homenzinho, será bem mais respeitado.

Não tenho nada contra gays, mas acho que a luta de vocês é desnecessária. Imagina? Querer privilégios só porque são gays! Eu também sofro violência todo dia e não to pedindo uma lei contra a ‘heterofobia’. Também acho errado ficarem mostrando na novela, com família vendo, não acho válido.

[…]

Mas aquele tal da ‘bicha afeminada’, do Paulo Gustavo? Nossa, muito engraçada!

Nem te conto: peguei 7 ontem na rua, naquela festinha. Monte de piranha, só queriam dar. Comi todas.

Semana que vem vou marcar o casório com a patroa porque você sabe… não quero ninguém olhando pra ela. Ela é minha. Quero mostrar pra todo mundo quem é que manda.”


Apenas algumas contradições que tive que conviver a vida inteira, pra ouvir de muita gente dizer que minha luta é desnecessária.

Não posso amar. 
Não posso demonstrar. 
Não posso ser. 
Não posso viver.

Me permitem existir, apenas pra ser um fantoche, uma abertura pro riso, um boneco Judas.

Apenas isso.