Tão perto. Tão longe.

Vitor alecrim.
Aug 22, 2017 · 2 min read

Todos entraram no ônibus empoleirados pela chuva e o frio.

Uma mãe e seu filho eram os últimos, atrás da catraca. A mãe segurava o seu filho com uma mão, enquanto usava o celular na outra. O ônibus era pequeno e o motorista havia descido antes dos passageiros entrarem. A mulher aguardava-o, enquanto a criança saltitava tentando escapulir de sua mão.

— Comporte-se — ela disse.

O motorista retornou, tomando o seu posto.

A mulher pagou seu bilhete e ordenou:

— Passe por baixo da catraca…passe por baixo

— olha mamãe, tem um lugar vago aqui.

Sentaram-se no banco exclusivo. O garoto olhava a rua através da janela com entusiasmo.

— Olha mamãe, que ônibus grande e bonito! — disse apontando com o dedo, quase subindo sobre o banco.

A mãe puxou-o para baixo automaticamente, sem desviar os olhos do celular.

— Olha mamãe.

O ônibus continuava parado. Um pedestre pediu informação ao motorista.

Ele deu a partida.

— A senhora não olhou.

O ônibus arrancou alguns metros mas o sinal mudou de cor logo a frente.

— Olha mamãe, outro ônibus

Para os passageiros atrás apenas podia-se ver o gorro de cachorrinho que o garoto levava a cabeça, e o seu dedo apontando para o grande ônibus que descia a avenida, entre os pingos da chuva.

— Ei.. Mamãe. Olha que bonito.

A mãe sorria para o celular.

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Vitor alecrim.

Sou um escritor e contador de histórias. Para mais dicas e contos, visite o meu blog https://escafandrovermelho.wordpress.com/

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