Tão perto. Tão longe.

Todos entraram no ônibus empoleirados pela chuva e o frio.
Uma mãe e seu filho eram os últimos, atrás da catraca. A mãe segurava o seu filho com uma mão, enquanto usava o celular na outra. O ônibus era pequeno e o motorista havia descido antes dos passageiros entrarem. A mulher aguardava-o, enquanto a criança saltitava tentando escapulir de sua mão.
— Comporte-se — ela disse.
O motorista retornou, tomando o seu posto.
A mulher pagou seu bilhete e ordenou:
— Passe por baixo da catraca…passe por baixo
— olha mamãe, tem um lugar vago aqui.
Sentaram-se no banco exclusivo. O garoto olhava a rua através da janela com entusiasmo.
— Olha mamãe, que ônibus grande e bonito! — disse apontando com o dedo, quase subindo sobre o banco.
A mãe puxou-o para baixo automaticamente, sem desviar os olhos do celular.
— Olha mamãe.
O ônibus continuava parado. Um pedestre pediu informação ao motorista.
Ele deu a partida.
— A senhora não olhou.
O ônibus arrancou alguns metros mas o sinal mudou de cor logo a frente.
— Olha mamãe, outro ônibus
Para os passageiros atrás apenas podia-se ver o gorro de cachorrinho que o garoto levava a cabeça, e o seu dedo apontando para o grande ônibus que descia a avenida, entre os pingos da chuva.
— Ei.. Mamãe. Olha que bonito.
A mãe sorria para o celular.
