Saltos e tropeços

Revisitei a grade curricular do curso de Design Gráfico do qual sou aluno no IED — Istituto Europeo de Design, em busca de destaques positivos e negativos da minha produção. O processo tem sido bastante rico e me sinto muito mais maduro e competente ao ver a evolução, tanto nos discursos quanto nos resultados materiais.

Abaixo temos três projetos dos quais me orgulho pelo caminho e resultado –os saltos:

  1. Cachaça Mulata (Redesign de marca e embalagem / 3º semestre):
Cada etapa justificada. Neste trabalho de redesign da Cachaça Mulatinha (Paraty-RJ), houve grande empenho e acompanhamento nas fases de pesquisa e conceituação, gerando um resultado sólido. De acordo com o fabricante o nome “Mulatinha” foi escolhido para “homenagear as mulatas brasileiras”. As primeiras decisões tomadas foram o renaming e o tratamento da figura feminina não sexualizada, retirando a minimização, desprezo e objetificação –ideias antagônicas ao propósito declarado. 
Na sequência a visualidade (cores, grafismo, formas etc) partiu de pesquisas sobre cultura e estamparia africana. O resultado final compila todas essas ideias.

2. Encontros (Projeto de livro / 4º semestre):

Autoralidade plena. Esse foi o ponto de partida deste projeto editorial. Uma coletânea de textos poéticos onde cada texto é aberto por um lettering do título e acompanhado por uma ilustração. O título do livro vem da inspiração que todos os textos têm em comum — o encontro entre o autor e pessoas desconhecidas, na forma de fotografias 3x4.
O livro é dividido em 3 capítulos:
1. As flores (musas inspiradoras)
2. Os ventos (entidades e transcendentalidade)
3. Os entalhes (sinais e símbolos)

3. Três minutos (Movie title baseado no roteiro de Jorge Furtado /4º semestre):

Interpretação poética e direção de arte. O universo imagético e conceitual do vídeo partiu de leituras e interpretações das linhas e entrelinhas do roteiro do curta metragem “Três minutos” escrito por Jorge Furtado. A narrativa se passa durante os breves três minutos da fuga da protagonista Marília, dona de casa frustrada com o casamento e rotina. A decupagem do vídeo busca traduzir toda essa frustração, efervescência, raiva e fuga.

E como em todo percurso, houveram vários, mas aqui aponto três, tropeços:

  1. Conselhos de uma vaca (Folder sobre veganismo / 1º semestre):
Aderência com o tema, mas não com o formato. O tratamento da ilustração e da diagramação dos conteúdos não foi explorada em sua potência total. Falta de experiência e de orientação gerando um resultado pobre.

2. Krant Stijl (Jornal - releituras do movimento De Stijl / 3º semestre)

Formato engessado não permite crescimento. Formatos impostos arbitrariamente dificultam desenvolvimento de linguagens. O jornal deveria ter obrigatoriamente formato tabloide, restringindo a produção e a potência de linguagem que poderia ser atingida a partir de releituras de obras e conceitos do movimento De Stijl. Falta de acompanhamento e troca prejudicou.

3. Blaze — arte compartilhada (Programação de site / 4º semestre):

Aprendendo um novo idioma numa nova plataforma. A programação em html e css é construída em lógicas e códigos com funcionamentos complexos. Começar a programar é como aprender um novo idioma. O processo não deixou de ser fascinante e estimulante, porém o empenho maior foi na estruturação do código e não na sua visualidade ou fluidez de navegação. Os aspectos não contemplados na produção enfraqueceram o trabalho substancialmente.