Carta à Ultima

Sabe o que eu queria mesmo? Eu queria que você fosse a última.

Queria que meu coração dissesse “É ela! E mais ninguém.”

Queria que você me olhasse e desse um basta. Decifrasse essa minha cabeça bagunçada, revirasse lá no fundo dos meus pensamentos e entendesse que te ví envelhecendo comigo, cuidando dos meus filhos.

Queria que a vida esclarecesse de uma vez por que é que a gente erra tanto, por que é que tantas vezes a gente acredita na pessoa certa, e erra. Por que é que tantas vezes a gente acerta, e erram com a gente.

Queria que os meus olhos nunca mais ficassem confusos por outras belezas, e que teus sorrisos não se findassem nas minhas incertezas, seria eu o seu para sempre? Talvez.

Queria mesmo é que a gente não apagasse tudo. Pouca gente entende que viver é intenso e lindo. A gente não precisa anular ou ter vegonha do. passado. O futuro jamais será mera repetição de erros e acertos, ele sempre insiste e consegue, ser mais. Ainda que a gente frequentasse os mesmos lugares preferidos, pedisse o meu sabor das fatias no Sábado, almoço em família aos Domingos, planejasse o final de semana na praia de sempre. Não teria ciúmes dos seus ex namorados, nem dos encontros românticos que já teve às escondidas, tão pouco pelas vezes que à outros se entregou, despida, de alma e de corpo. Passou.

Seria feliz pelos momentos que já esteve sorrindo, mesmo que não tivesse sido comigo, mas com aqueles que alguma lembrança em ti deixou. Eu apenas faria tudo outra vez, assim como você, melhor.

De que valeria termos sido os nossos primeiros? Talvez fossemos hoje apenas a soma de mais um, ou dois. babacas, como tantos outros que esbarramos no caminho. Mas na impossibildade da liderança, entendo que a gente precisa de tempo e maturidade para crescemos, sofremos, trazer ainda que com o peito ferido o que somos agora, não a sobra, mas o melhor de nós, lapidados.

Ô menina, os teus olhos são diamantes de sentimento puro. Eu sei meus escritos são doces, mas o meu coração inseguro, bruto. Eu também não entendo essa coisa de. amor.

Quem dera eu soubesse te conquistar além das poesias. E te explicar mais do que em palavras que eu só queria que você fosse a última. Contrariando a lógica da chegada. Abrir mão de ser teu troféu, ou você só mais uma de minhas medalhas. De que vale o ouro se ainda há tantos outros para chegar? Eu queria mesmo é que você fosse a última, que eu fosse o último. Daí então com a alegria de um primeiro poder gritar ao coração, “Vencemos!Chegamos em último lugar, não precisamos esperar mais ninguém”.

Vitor Afonso

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