Você tem 5 minutos?

Você conhece a regra dos 5? Ela funciona mais ou menos assim. Pense em algo que te aborrece. Um namoro indo para o espaço, um ex que já está com outra, um emprego que não te reconhece, uma pessoa que não te acrescenta, um ressentimento ruim que alimenta, mágoa do passado, relacionamento desaforado… Sei lá, apenas pense e não continue esse texto antes disso.

E ai, Pensou?

Agora feche os olhos por 5 segundos e imagine onde isto que está te corroendo irá te levar daqui 5 anos futuros. Se o resultado de seu pensamento for algo não construtívo, aplique a regra dos 5.

Tire 5 minutos do seu dia para sofrer, se lamentar, se culpar, nomear a si mesmo com os piores palavrões do vocabulário, gritar dentro do carro, extravasar até arranhar a garganta, arrancar esse sentimento do peito e atirá-lo pela janela.

Caso não haja melhora imediata, repita a dose por 5 dias.

Recomenda-se que utilize o método de segunda à sexta. A cerveja está liberada aos finais de semana. De forma moderada. Se for beber, mantenha volantes e celulares fora de mão.

A verdade é que a gente perde tempo demais dilacerando o coração e pouco refletindo que determinadas situações serão eternos nocívos e jamais trarão melhoria para as nossas vidas.

Aceitar que algo já não nos cabe, é uma árdua tarefa e a vida nos cobra isso de forma dura. Dói a beça, eu sei. Mas de que adianta remoer argumentos e insistir em erros que no fundo sabemos não servirão de recompensa pelos nossos esforços? A gente precisa crescer. E crescer, muitas vezes exige mudanças. Assim como vestir novos sapatos. Não importa o tamanho de nosso apego pelos velhos, uma hora cria calo, apertam os dedos, os “nós” já não se amarram aos surrados cadarços, chega a hora de encarar o fato. Precisamos trocar. E talvez os novos incomodem também no início. Leva um. tempo até que a gente se acostume com as palmilhas, pare de fazer comparações com os antigos, e reconheça que os novos formam agora um perfeito ajuste aos nossos pés.

Não estou aqui com a pretensão de criar um manual de auto ajuda, tão pouco fazer você acreditar que tudo é descartável. Muito pelo contrário. Penso que cada um saiba o quanto vale ou não lutar por algo que acredite. Por isso, nem eu, nem ninguém, saberá mais do que você mesmo o preço disposto a pagar. Mas independente do que esteja passando, do que te aflinja, do que te magoe, considere a regra dos 5. Abrace 5 amigos, chore 5 vezes sozinho, tome 5 cafés às segundas, frequente a igreja 5 vezes ao domingo, faça o que tiver de fazer. O importante é que ao final do dia, pouco antes de dormir, entenda que tem coisas que merecem da gente uma vida, e tem coisas, que não. Tem coisas que não merecem a leitura da bula, a depressão, terapias e suas faturas, quem dirá estragar nossos sonhos com noites mal dormidas. Tem coisas que não valem a pena, sequer nossa falta de sono, nossa atenção. Tem coisas que não valem. E ponto. Nem 5 minutos guardados em travesseiros molhados, em vão. Deixa esse tempo para gente curtir quem é de verdade. Brigar por amor, abraçar amizades, leais. Ler um livro, começar um novo seriado. Ser o clichê do brega e se apaixonar quantas vezes preciso. Chorar quando necessário, por verdadeiras saudades. Daqueles que jamais nos deixaram. Mas ainda assim, com o nosso carinho a vida levou. Por aqueles que nem ao menos se foram e já faz a gente morrer só de pensar. Aqueles que precisam dos nossos cuidados, de um sorriso e abraço apertado, com a ternura de um “não te largo jamais”. Gente como nossos pais, nossos filhos, nossos melhores amigos, nossos irmãos, de sangue, que sangra, de alma, que habita. De coração, que é bom.

Durma bem!

Vitor Afonso

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