Reflexão 1

Hoje eu acordei pensando sobre uma situação que aconteceu na noite passada aqui na rua, nada fora do comum, apenas um bêbado (conhecido) deitado na calçada alheia.

Era uma noite fria para os padrões de inverno em Salvador, a calçada estava suja e uma garrafa de bebida qualquer se encontrava jogada ao seu lado. Uma cena típica.

Pessoas passavam e gritavam pra ele ir pra casa, mas ninguém realmente ajudava. Eu não julgo, também não procurei ajudar. Deu vontade de sair do meu conforto para entregar um cobertor ou levá-lo em casa? Talvez. Confesso que na hora não liguei muito, fiquei preocupado, mas o pensamento… “Ah! Ele vai ficar bem” me livrou do “fardo” que seria descer três lances de escada.

Não sei o que aconteceu com ele.

Durante o dia a situação me levou a refletir sobre diversas coisas: sobre as várias pessoas que sem comparação passam por coisas piores, sobre o que eu estou fazendo da minha miserável existência para equilibrar essa diferença de realidade, e a minha indiferença em tentar mudar alguma coisa. Esse pensamento me levou a uns momentos de revolta pessoal, logo eu, uma pessoa que aparenta se preocupar tanto com o próximo. Uma decepção.

A culpa começou a cair sobre meus ombros, e esperto como sou fui jogando o que não suportava na sociedade sem perceber que OPA, eu faço parte dela.

Mas não tem jeito, vou continuar me culpando quando passar por um morador de rua e não olhar; quando ignorar um pedido de socorro de uma criança assustada; quando fechar meus olhos para uma mãe desesperada pela morte injusta do filho; ou quando considerar corriqueira a situação de milhares de pessoas que sofrem no mundo.

Bom… nada que eu fale aqui vai fazer qualquer vida se transformar, possivelmente só a minha pois precisava por isso pra fora de algum jeito, uma atitude um tanto egoísta, mas isso é pra outro texto.

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