Dênis, o brincalhão.
Dênis era um palhaço. Quando criança fazia a alegria da casa. Não tinha vergonha de se expressar, fazer ‘palhaçada” para os adultos rirem.
Quando adolescente, Dênis era sucesso entre os amigos. Piadista nato. E na escola? Era o famoso “engraçadinho”. Sempre tinha uma “tiradinha” divertida ou de duplo sentido. O que deixava o alvo da piada sem graça na maioria das vezes.
A fama o seguiu até o escritório. Os colegas gostavam muito dele. O chefeaté pedia para diminuir, mas não tinha jeito, até ele ria. Diziam que não havia sido demitido, porque melhorava a qualidade de vida dos colegas mais que o programa anti-stress da empresa.
Claro que em alguns momentos incomodava. O excesso de “brincadeirinhas” às vezes deixava o clima chato. Dênis percebia, diminuía, mas não se importava. Não dava para acertar todas.
Ele tinha um ponto fraco. Gente mais engraçadinha do que ele. Se o indivíduo fosse um pouquinho mais esperto, tirava dele o controle da situação e o deixava sem resposta.Sabia reconhecer a derrota e uma boa piada.
Numa tarde qualquer, Dênis preparava um relatório em seu computador. Coisa do trabalho mesmo.
O telefone toca. Era uma atendente de telemarketing. Oferecendo os produtos de um banco. Cartão de crédito, títulos de capitalização e afins.
Sem querer ser grosseiro e dizer não logo de cara, Dênis foi respondendo as perguntas, tentando ser educado, dizendo que não era o momento.
Num determinado momento, a atendente pergunta:
- Senhor, qual o tamanho do seu patrimônio?
O gene do Ary Toledo foi acionado. Que oportunidade ótima para uma piada de duplo sentido, pensou Dênis. Respondeu tentando segurar o riso:
- 19 cm!
A atendente respondeu de imediato:
- Senhor, gostaria de lembra-lo que esta ligação está sendo gravada!
Ele insistiu:
- Tudo bem, 19,5 cm!
Dênis colocou a mão na boca para abafar o riso. Silêncio. Dois segundos depois, ela responde:
- Senhor, não adianta mentir para auferir vantagem. Se oferecermos algo pelo o que senhor afirma ter, quando for a hora de usufruir e percebermos que é menos da metade, além do seu conceito cair no mercado, pode gerar comentários em seu cadastro em outras instituições, dificultando o acesso para novos produtos. Sem falar na decepção que pode causar, quando verificarem o seu “patrimônio”.
Após a explicação, ela pergunta novamente:
- Lembrando que esta ligação está sendo gravada, qual o tamanho do “patrimônio” do senhor?
Dênis respira. Não consegue desligar o telefone. Ela insiste:
- Senhor?
- Com a margem de erro, acho que cinco pontos percentuais para baixo.
- O cartão do senhor foi aprovado. O limite caiu um pouco, mas estará disponível logo. Tenha um bom dia.
Depois de desligar o telefone, permaneceu um pouco sem graça, constrangido. Mas a resposta dela foi mais rápida. Não dá para ganhar sempre. Além do mais era melhor ter algum “crédito” na praça do que nenhum.