Papo de maluco

Tomava um café, ruim diga-se de passagem, e lia um texto para a aula que teria em alguns minutos. Sentado em uma dessas “praças” de alimentação dos prédios novos da Universidade de Brasília, me perdia entre os parágrafos, as pessoas que passavam e as mensagens de WhatsApp. Havia muitas mesas vazias, faltava algum tempo para o intervalo. Perto da minha mesa dois homens conversavam. Não conseguia escutar direito, mas indicava ser de um professor que gostava de sacanear alunos.Aparentemente tudo normal. Não sei de onde surgiu, mas de repente um homem alto, barriga estufada pela camiseta que estava dentro da calça, boné de tema militar se aproxima e interrompe o diálogo dos meus vizinhos de mesa: “- O que é a dialética? Vocês compreendem a força do poder do discurso? Um homem e sua voz…” Eu tentei prestar atenção, mas achei muito louca aquela cena. Sem que os homens esboçassem uma reação, aquele ser termina seu pronunciamento e sai sem se despedir. Terminei meu café e fui para a sala de aula. No caminho acabei pensando alto sobre o assunto: “- Como tem maluco por aí?” Não tinha percebido que tinha uma pessoa atrás de mim, que acabou me escutando. Ela não se aguentou e acabou dizendo: “- Tem muito mesmo, inclusive gente que fala sozinho!”.