PMDB e seus dois maridos

Eu não sei se a política no Brasil é nelsonrodriguiana ou novela mexicana. De vez em quando, a gente escuta que política é complicado, precisa de tempo e estudo para compreender, mas poucos sabem que seu entendimento cabe num roteiro de novela. Façam o exercício:

Durante as eleições PT e PSDB flertaram com o PMDB. O PMDB “deu mole” para os dois. Na hora de escolher salada mista, preferiu o Partido dos Trabalhadores.

Com o casamento marcado entre os dois, restou ao PSDB falar mal do casal. Esqueceu os bons momentos vividos no passado com o PMDB e tentou melar a cerimônia num estilo vilã da Malhação.

Depois da curta lua de mel, o PMDB voltou a se engraçar com o PSDB. Todo mundo desconfiando e o PT não queria acreditar. Se encontravam as escondidas. O PMDB jurava que ia largar o PT. O PSDB acreditava, todo faceiro, apaixonado. Faziam planos juntos rumo a felicidade.

O PT, ao saber da investida do rival, fez promessas, deu presentes, tentava seduzir, mas o PMDB se fazia de desentendido. Jurava que estava tudo bem.

O PSDB, cansado de esperar, deu um ultimato. Apresentou os papéis para oficializar a relação. O PMDB ficou com aqueles papeis guardados na gaveta, só esperando o momento certo.

O PT decidiu ter uma “DR”. Avisou sem pestanejar, a união dos dois era de comunhão parcial de bens. Os bens construídos durante o relacionamento iriam ser dividido, assim como o ônus também seria. O problema maior era a conta feita pelo filho problemático do PMDB antes e durante o casamento. Dudu Cunha, o adolescente problema, ficaria desamparado.

O PMDB chorou e esqueceu os papeis dados pelo PSDB. Romperam as promessas. Tem deixado Dudu de castigo e pensam em manda-lo para um colégio interno.

O PSDB ainda procura entender onde errou. Está um pouco amuado. Anda frequentando as reuniões dos Grupos Políticos Traídos Pelo PMDB Anônimos. Em breve deve voltar a gritar contra o casal.

O PMDB tem jurado que sempre amou o PT, que sabe que um dos pilares de um relacionamento é a proteção.