Sai do celular, animal!

Uma das coisas que me impressionam no país é a permanência dos veículos de tração animal.
 Numa mesma via é possível perceber corolas, mercedes, caminhões, motos, ladas, hondas, renaults, unos, bicicletas e carroças.
 É uma puta sacanagem com os equinos, embora a situação de quem depende das carroças também não é das melhores.
 Sem entrar na seara do tratamento digno aos animais ou nas causas e possíveis soluções para estes trabalhadores que vivem deste tipo de frete ou recolhimento, o compartilhar do transporte causa situações que beiram o surreal.
 Depois de três semanas sem atividade física por conta de gripe e estudo, finalmente tive tempo de dar uma corrida leve.
 Ainda me acostumando com retorno, alternava o correr com o caminhar. 
Em um destes momentos que estava em um ritmo menor, observei que a via, que estava próxima de mim, apresentava uma lentidão em uma de suas faixas.
 O motivo parecia ser uma carroça. Nada muito diferente do usual. Devia ter uma fila de uns quinze carros atrás da carroça. Como não deixaria de acontecer, a paciência dos motoristas era expressada na buzina.
Até aí tudo normal. O interessante era o que gritavam para o carroceiro:

- Sai do celular!

Bradavam para o homem que com uma mão segurava o arreio da carroça e com a outra segurava um telefone encostado no ouvido.