Vitor Frasson
Jul 24, 2017 · 3 min read

A ÚNICA COISA MAIS RARA QUE UM JOB BOM DE VERDADE É UM JOB RUIM DE VERDADE

Todo mundo que trabalha com Criação Publicitária provavelmente já ouviu o clássico “Antes de pegar o filé mignon, você vai receber muito osso”.

Por mais que isso pareça fazer sentido, eu discordo.

Para mim, os ossos do nosso ofício andam bastante injustiçados.

É verdade que existem trabalhos em que, realmente, não há muito a ser feito. Banners minúsculos de Intranet, comunicados internos e outras peças que entram com o prazo contado em minutos ao invés de dias. Aquelas tarefas que chegam às suas mãos menos pelo seu talento criativo e mais pela sua habilidade com o Photoshop ou seu conhecimento de gramática. Pelo menos, eles têm uma vantagem: costumam ser rápidos de matar. Se realmente não houver abertura alguma para você pensar e expor sua criatividade, não me parece tão errado ligar o piloto automático, por assim dizer, e só executar o que está sendo pedido.

Mas eu acho que, felizmente para nós, esses briefs são exceção. E acho isso por dois motivos.

1 — Se o job tem um objetivo, você pode pensar em um jeito melhor de chegar lá.

Por mais simples que seja uma peça de comunicação, ela sempre deve ser criada com um propósito claro. Desde fazer alguém participar de uma pesquisa até vender um produto, o seu trabalho sempre tem uma meta. E você, como pessoa criativa, tem a missão de pensar em jeitos mais impactantes e persuasivos de fazer isso.
Mesmo que seja apenas um post de Facebook, o material está ali para fazer um trabalho. Se você conseguir pensar em um jeito de fazer o post cumprir esse objetivo de maneira mais eficiente, já vai estar muitos passos à frente de um redator ou diretor de arte que tem como missão fazer coisas engraçadas/bonitas.

2 — Ninguém liga muito para esse trabalho. O que é ótimo.

Como qualquer brasileiro que está tentando sobreviver na crise, os clientes dão muito valor a cada centavo que investem em propaganda.
A consequência disso é que o cuidado deles com a aprovação das peças é diretamente proporcional a quanto cada item do plano de mídia vai custar para ser produzido e veiculado.
Isso acaba sendo uma bênção. Como o job-osso não custa muito, o cliente não se importa tanto assim com ele. O que significa que fica bem mais fácil tentar algo diferente. Onde você acha que uma loja de móveis vai ousar mais? Nos três comerciais que produz durante o ano ou em algum dos cinquenta posts?
É aí que a coisa fica bonita. Você faz os posts diferentes, eles funcionam melhor do que os outros e voilá. Logo, logo, você faz os anúncios. Depois, os mubs e outdoors. À medida que tudo for dando resultado, aquele filme digno de portfólio já não parece tão distante.

Na verdade, eu poderia resumir tudo isso com “Menos reclamação, mais ideias”. Mas preferi escrever esse texto para explicar por que acredito que não precisamos ficar caçando fantasmas para criar ideias interessantes.

No final das contas, cada vez mais, eu acho que um bom portfólio funciona como o nosso corpo: só se sustenta se tiver o número certo de ossos.

    Vitor Frasson

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