A truculência da polícia que a mídia de esquerda não registrou
Guilherme Ramos
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Guilherme, mais discordo do que concordo com seu texto.

Concordo no ponto em que você diz que muitas vezes a mídia que você considera “de esquerda” acaba enfatizando muito mais os atos de violência da polícia do que o próprio ato e acontecimento em si. Isso é real mesmo e bastante problemático. Fiz uma mini reportagem para a USP da ocupação da Funarte de São Paulo e uma coisa que foi dita lá dentro foi justamente isso: alguns mídias alternativas mais famosas só apareciam por lá quando a PM ameaçava invadir ou quando havia a possibilidade de reintegração de posse. Segundo eles, alguns nunca apareceram para noticiar o que rolava ali no dia a dia, que alterava toda a dinâmica do local e apresentava uma nova forma de se gerir o espaço.

Mas acho que nossa concordância se restringe a esse ponto. Já participei de manifestação e discordo muito do ponto que você diz que o foco nas cenas de repressão seria uma espécie de “show midiático”. Da forma que você escreveu parece até mesmo que você entende (posso ter entendido errado) que essas cenas são até mesmo forjadas. Não vejo isso como real. Um determinado cinegrafista pode estar posicionado em determinado local prevendo que algum mal aconteça e não fazer nada para evitá-lo, mas forjar cenas eu acho muito pouco provável.

Além disso, não vejo “uma tendência fiel e clara em propagar o sofrimento, a vitimização, a reputação de minoria e eternos coitados.” Afinal, o que basicamente rola ali por parte da PM é violência mesmo. E pode-se perceber claramente a diferença de tratamento por parte das forças de violência pública entre os episódios das manifestações pró e contra o impeachment.

Não entendo cenas como a da menina que perdeu a visão do olho esquerda ou a da pessoa que foi atropelada por um PM como meros shows midiáticos, ou simples tentativas de propagar o sofrimento. O foco nisso, no âmbito das manifestações, é muito mais como uma denúncia da forma como os manifestantes são hoje tratados na “democracia” dependendo da pauta que defendem.

Ah, e talvez seja preferível ser “parcial” abertamente, como alguns desses meios, à carregar uma falsa máscara de imparcialidade, como acontece com a grande mídia. Afinal, nenhum discurso é imparcial ou não ideológico em sua essência.

Bom, é isso. Embora, não sei se consegui ser muito claro.

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