Hackacity — Ou como construir uma equipa para futuro em 24 horas

Entre os dias 26 de 27 de Junho, realizou-se, no Porto Design Factory, um “hackathon” chamado Hackacity. Consistiu numa maratona de 24 horas, onde se procurava desenvolver soluções tecnológicas que dessem resposta a problemas que existem na cidade do Porto. Para que isso fosse possível, foram cedidos três tipos de dados: ambiente, tráfego e pontos de interesse. Dados esses que estavam alojados na plataforma FI-WARE, sendo que esse acesso foi disponibilizado de forma inédita.

A formação da equipa

Com esta descrição, bem como a necessidade própria de continuar em contacto com o que se faz em desenvolvimento de software, decidi inscrever-me. Tinha uma situação: não tinha uma equipa combinada antes. Entre confirmações e não-confirmações, decidi lançar a seguinte oferta:

Consegui trazer mais uma pessoa para o desafio. Como as inscrições eram individuais, haveria a liberdade para definir equipas antes do evento ou mesmo no seu início, depois de apresentações breves sobre ideias que cada participante tinha. Foi o segundo caso que aconteceu.

Pertenci à única equipa que foi formada no momento. Ao contrário das outras, que eram formadas totalmente por estudantes e/ou profissionais de engenharia informática, a minha tinha uma grande variedade de valências: desde engenheiros informáticos, passando por duas designers e um gestor de projecto. Outro grande factor diferenciador foi o equilíbrio de géneros: na minha opinião, bastante importante; quando ainda existe uma proporção muito pequena de mulheres em tecnologia, com consequências para todos.

Como juntar pessoas em tão pouco tempo?

Posto isto, mal a equipa foi formada, a discussão sobre o desafio a resolver começou de imediato. Graças ao facto do Porto ser cada vez mais reconhecido por ser um destino único e ao investimento em formas de medir a qualidade de vida da cidade que cada vez mais desafios são apresentados. Depois de alguma discussão, optou-se por se fazer uma aplicação orientada ao património da cidade.

Há que realçar que é sempre melhor discutir a solução e os passos a dar para que ela seja concretizada, de forma eficiente. Sem isso, não existe real progressão no trabalho. Por real progressão, diga-se a resiliência que essa solução tem, para resolver o desafio proposto; sem ser reactivo às circunstâncias passadas no momento.

Outra grande competência, para que uma equipa consiga aguentar-se durante um serão intensivo (para além de uma sesta!), é a capacidade que um gestor de projecto tem em mantê-la coesa. É aí que a dificuldade de uma equipa composta por pessoas da mesma área enfrenta: os membros da equipa são vistos mutuamente como competição, não como cooperação para um grande trabalho. Quando a cooperação existe, criar laços humanos e mostrar o lado mais frágil é essencial para puxar uma equipa para a frente!

Por último, mas provavelmente o mais importante, é a comunicação. A falta dela, especialmente no final do “hackathon”, pode matar um projecto fantástico. Esta habilidade é a mais difícil de ter: como existem vários domínios na equipa, temos um igual número de formas de comunicar diferentes. É muito difícil tentar falar com alguém, na parte da programação, numa conversa cara-a-cara; prezando muito mais o online — mais determinista e menos subjectivo. Por outro lado, falar com um designer requer chegar a um momento em que as respostas dadas às perguntas terão que ser binárias; quando se aproxima o final, divergir pode matar a viabilidade de um projecto.

Final da competição e pontes para o futuro

Passadas 24 horas, estas formas de trabalho provaram ter sucesso. Como o verdadeiro sucesso está para além dos prémios a concurso, para a posteridade ficaram:

  • A resiliência da equipa, com o número de participantes reduzido nos “pitches” finais (Havendo equipas que perderam elementos);
  • Um projecto que ficou com uma base tecnológica sólida, satisfazendo uma necessidade real de mercado e com qualidade para continuar;
  • Todo o percurso foi feito com a maior diversão, liberdade e com ligações profissionais e emocionais para continuar o seu desenvolvimento, com qualidade e alma.