O que aconteceu quando troquei de roupas com minha amiga por uma semana

Bom, como a maioria das pessoas que convive comigo sabe, participei de um desafio meio esquisito e troquei de roupas com minha amiga Juliana por uma semana. A gente viu um vídeo em que pessoas faziam isso, achou legal e resolveu tentar também. Esse foi o questionário que ela elaborou pra avaliarmos essa experiência.

Fazendo um hangloose maroto pra Deus ao final da experiência, como nos ensinou Ronaldinho Gaúcho. A camisa QUE DEUS PERDOE ESSAS PESSOAS RUINS infelizmente não foi usada durante o desafio, assim como a combinação de gosto duvidoso que escolhi pra essa foto.

Qual foi a sensação de vestir roupas que, além de não serem suas, são tão utilizadas pela sua amiga?

Como a gente tinha anunciado que faria isso, muitas pessoas do nosso convívio já estavam esperando a troca, acompanhando os posts e “fiscalizando” (no sentido bacana do termo) os looks. Não foram poucas as vezes em que ouvi “oi, Juliana” durante a semana. Então me senti um pouco em evidência, meio exposta. Era como andar com um outdoor na testa com os dizeres OLHA AQUI EU USANDO AS ROUPAS DA MINHA AMIGA NUMA EXPERIÊNCIA SOCIAL.

As roupas me serviram perfeitamente e eu gostei de praticamente todas elas. Foi divertido e muito prático não precisar escolher o que vestir, porque todas as peças já estavam devidamente separadas de acordo com o dia e com as minhas necessidades. Por exemplo, no dia em que fui fazer a minha primeira tatuagem, a Ju separou uma blusa sem manga. Escolhi a amiga certa pra fazer isso, porque ela foi genial nas escolhas.

É um grande clichê, mas as roupas dizem tanto sobre o comportamento e a personalidade de quem as veste e mesmo que nossos estilos sejam um tanto parecidos, ficou bem evidente o quanto somos diferentes.

Qual foi a melhor e a pior peça de roupa e por quê?

A melhor peça certamente foi a calça jeans de cintura alta. Ela é linda e me senti muito bem e confortável com ela. Tão bem que tirei essa foto com o braço pra cima e o adesivo do Buzzfeed na minha cara. Meio tosca, mas muito feliz com o caimento da calça.

Tentei trocar a calça por qualquer peça, mas a Ju não aceitou. Estou arrependida por ter devolvido.

A pior peça também é muito bonita, mas é uma das poucas que eu não vestiria se não fosse o desafio: uma blusa cropped amarela. É preciso ter um outro nível de autoconfiança pra sair desfilando com a barriga meio de fora por aí e eu ainda não cheguei lá. Mas na foto ficou bem legal a blusinha. Uma coisa curiosa: a Juliana colocou esse bilhete me dizendo pra usar com fita dupla-face pra não cair o decote, mas como ela não colocou a palavra FITA eu achei que DUPLA-FACE fosse O NOME DO DECOTE.

O bilhete que Juliana mandouJuliana deveria ter mandado
O bilhete que ela mandou e que era muito claro, mas eu não entendi
A famigerada blusa

O que você aprendeu com essa experiência?

  • Dupla-face não é o nome de um decote.
  • É muito difícil tirar fotos de look do dia. Parabéns a todos que conseguem fazer isso.
  • Pessoas são capazes de afirmar que uma camisa do Pink Floyd é a minha cara mesmo sabendo que eu não escuto Pink Floyd.
  • É possível usar minha camisa do Apenas um Show com a minha calça de dança. Valeu, miga.
  • A Juliana é um pouco mais apegada as suas roupas do que eu pensava. Pensei que ela fosse uma grande hippie com as coisas materiais, mas não é tanto assim. NÃO ESTOU FAZENDO JUÍZO DE VALOR.
  • Outras coisas mais sérias que vou detalhar a seguir

Qual foi a maior dificuldade do desafio?

Lidar com a minha autoestima tão baixa. Durante a semana das trocas, percebi essa questão com tanta evidência que foi assustador. Conheço algumas pessoas com baixa autoestima que nem eu (a Ju felizmente não é uma delas) e quanto mais a gente conversa sobre isso, mais eu fico puta por não saber como lidar com esse negócio que me atrapalha em tantos níveis. Com o tempo eu tenho melhorado. Hoje tenho consciência de que existem várias indústrias que lucram com as inseguranças femininas, impondo padrões de beleza inalcançáveis e cruéis. O feminismo tem me ensinado muito sobre a necessidade de gostar de mim mesma e amar o meu corpo. É possível.

Mas na minha cabeça é como se houvesse uma linha dividindo dois “lugares”: o da baixa autoestima e da autoestima saudável. E é como se existisse uma estrada pra sair de um lugar pro outro. Nessa estrada tem todo esse processo de empoderamento, conscientização, etc. Eu sinto que estou nela e que chego perto da linha, mas é como se eu fosse ficar pra sempre presa do lado ruim, olhando pro outro lado, desejando estar lá, mas sem jamais conseguir ultrapassar a linha que separa os dois lugares.

Eu vi a Juliana com o corpo muito parecido com o meu vestindo as minhas roupas, que refletem tanto a minha personalidade e consegui achá-la bonita, estilosa e descolada. Todos os dias. Mas por que não tenho capacidade de me enxergar com a mesma generosidade? Por que ao me ver com as roupas da Juliana, que couberam perfeitamente em mim, não me senti bonita?

Isso é assombroso e muito sério. Ainda não tenho respostas definitivas pra essas questões, mas se tem uma coisa que essa semana me ensinou foi: eu não posso me conformar com essa situação. Não mais.

Você faria isso de novo?

Sim!!! Mas agora eu virei a louca das experiências sociais e vou querer trocar de casa, de curso e de estágio com as pessoas por uma semana. Mas ninguém vai topar, então não se preocupem comigo.

Obrigada, miga. ❤
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