Dos (des)encontros

Era uma noite de segunda-feira, onze horas. Ela estava no bar o qual frequentava há três anos. Estava indo em direção ao balcão fazer seu pedido.
- Oi, boa noite. Vou querer uma dose do seu melhor whisky, por favor.
Após esperar poucos minutos e receber seu pedido, virou-se e estava voltando para a sua mesa, quando, de repente, um homem branco de cabelos pretos e olhos castanhos parou a sua frente.
- Maria?
Não podia ser. Ela não conseguia acreditar. Como sua barba havia crescido… E seu cabelo! Será que era ele mesmo?!
- Mateus? Nossa, como você está diferente! — Ela disse, examinando-o dos pés à cabeça, extremamente surpresa.
- É, resolvi mudar o corte de cabelo depois de tantos anos.. — Ele disse, sorrindo meio de lado. — Como você está bonita.
Seus pensamentos estavam a mil por hora. Nesse momento, inúmeros flashbacks aconteceram. Era ele. O homem que fora seu amor por 8 anos. Como era estranho se tratarem como desconhecidos depois de tanto tempo, depois de tanta intimidade.
- É… Faz um bom tempo. Como você está? Seu trabalho?
Ela tinha tanta, tanta coisa a dizer. Queria contar da sua mãe, da promoção que ganhou no trabalho, do seu apartamento novo…
- Estou bem. Apesar de ter sido demitido. — Ele respondeu, cabisbaixo.
- Demitido? Mas aquele seu trabalho era tudo pra você! Você sempre deu tudo de si. Como isso aconteceu?
- Eu me desentendi com meu chefe. Tivemos uma briga muito feia. Mas já estou a procura de outro emprego. Vai dar tudo certo. — Ele disse, com aquele famoso sorriso confiante o qual a moça tanto conhecia.
Depois de uma conversa de cinco minutinhos, contando por alto da vida dos dois, eles se despediram. Mateus, assim como ela, se sentia muito desconfortável naquela situação. Depois de tantos encontros e desencontros, se encontrarem em pleno dia 17 de abril, naquele bar que se conheceram… A vida às vezes nos prega peças. E essa tinha sido uma. Das grandes. Como pode depois de tantos anos juntos, depois de tantas coisas que passaram juntos, se esbarrarem assim pela cidade e ter uma conversa meia-boca? Como podem ser dois desconhecidos depois de tanta cumplicidade?
- Olha, eu tenho que ir… — Não, ela não tinha que ir. Mas precisava fugir desse incômodo que estava sentindo. Infelizmente, nunca mais seria a mesma coisa conversar com ele. — Mas foi muito bom te rever.
- Ah, tudo bem! Eu também gostei muito de te ver hoje. De verdade. Se cuida, tá? — Ele disse, se aproximando dela para abraçá-la. Ela sentiu seu coração acelerar e seu corpo esquentar. Tentou agir normalmente.
- Se cuida também, Mateus. Boa sorte com o emprego. Sei que você vai conseguir resolver tudo. — Disse sorrindo.
E cada um seguiu seu rumo. Mas a vida é feita exatamente disso. Encontros. Desencontros. Amores. Desamores. Ambos sabiam do seguinte: o que eles tiveram foi eterno enquanto durou. Mas as pessoas trilham caminhos diferentes. É a lei da vida. Quem sabe daqui a três anos suas trajetórias não se cruzam de novo?

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