Ghosting

Me lembro perfeitamente da primeira vez que ouvi falar de Ghosting. Isso martelou durante muito tempo na minha cabeça, como se fosse um alerta pra que eu nunca o fizesse. Sempre tive a preocupação de terminar tudo que começo, desde os afazeres do cotidiano à um relacionamento (amoroso ou não) que não vai bem. Eu explico, converso, mostro meus pontos e dou meu tchau. É difícil, em alguns casos chega a ser doloroso, mas é necessário. Todo mundo tem direito a uma explicação, a um adeus ou um até logo. Todo mundo tem um coração e sentimentos, mesmo que não sejam expostos. Cada um tem seu motivo pra guardar dentro de si o que sente. Creio desde sempre naquela máxima de que “você recebe o que você dá”, mesmo não funcionando sempre. Dar um ponto final pra tudo que não me fazia feliz, não me blindou de vivenciar o Ghosting. Logo com você, que eu menos esperei coisas ruins e mais esperei coisas boas. Desapareceu quando conversava comigo sobre sua mudança para outro estado, não me deu sequer um “tchau”. Não olhou pra trás e nem quis saber como eu ficaria. Virou um fantasma enquanto fiquei ali, assombrada pela tua atitude e com medo do seu abandono. Ainda vejo o vulto desse fantasma durante meu dia e, principalmente, durante a noite quando coloco a cabeça no travesseiro e tento te dispersar da minha mente até dormir. Ghosting, fantasma, cruz, karma, perturbação… posso te chamar por todos esses nome, menos de amor, porque você foi embora e nem me avisou.

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