os olhos, as mãos e o agora…
Tenho pra mim, que fotografar é mais ou menos o que Dumbledore faz, quando pega sua varinha e puxa suas lembranças, jogando-as, logo em seguida, numa “penseira”, pra que outra pessoa possa vê-las.
A câmera sozinha não é sua varinha.
Seus olhos atentos, ligados diretamente à seu coração, pra captar os sentimentos.
Suas mãos firmes e ágeis, preparadas pra sintonizar todas as técnicas aprendidas àquele instante de apertar o botão.
Sua mente analisando tudo e controlando seu corpo entre os obstáculos à sua volta e suas emoções entre arrepios, suspiros e o tempo.
O tempo entre a sua compreensão das primeiras palavras ouvidas em sua infância até aquelas que estão sendo sussurradas por gritos e gargalhadas, ou talvez, gritadas apenas por gestos pedindo pra serem fotografados.

O agora foi feito pra ser lembrado.
O agora foi feito pra ser sentido.
O agora foi feito pra ser fotografado.
A fotografia faz você lembrar, sentir e reviver o agora de hoje, no agora de amanhã.
Fotografe.
Com a câmera, seja ela qual for.
Com os olhos, todas as vezes que abri-los.
Com o coração, enquanto respirar.
Foi isso, na minha opinião, que “salvou” Alice, aquela do livro de Lisa Genova.