Você foi minha… durante 3 dias

Te notei ali, com os sentidos à flor da pele. Observava, a cada gole gelado do drink azul-marinho, você entrelaçar as mãos acima da cabeça, inclinando o corpo para trás em um transe sublime. Pronunciam meu nome, você entra em órbita, e nossos olhares se cruzam. Não imaginávamos que todo o processo se repetiria mais tarde, em outro contexto. Sem música, sem plateia, e sem pudor.

À madrugada, uma movimentação me desperta. É você, com a cabeça em meu peito, me fitando com os olhos negros e os cabelos bagunçados. Estamos na rede — meus braços envoltos em tua cintura enquanto recobro os sentidos. Curiosa, me pergunta se estou acordado. Balanço a cabeça em gesto afirmativo, e tão rapidamente como adormecemos, voltamos a conversar.

O papo flui de maneira gostosa. Falamos de personalidade, sonhos e experiências, mas também de espiritualidade, medos e angústias… Você de Vênus, eu de Marte. E apesar disso, gostamos de açaí, churros e doces na mesma intensidade de dançar, se entregar, e lutar pelo nosso espaço. Nunca havia me conectado com alguém assim em tão pouco tempo.

Te estudo, e absorvo tua bravura em abraçar o desconforto pra viver a independência, ainda que alguns sonhos tenham sido adiados por isso. E você, enquanto desfruta de meu cafuné, revela desejar minha companhia mais vezes. Faz planos, sorri e imagina locais para futuros encontros furtivos. Não sabemos que, em pouco tempo, a fantasia encontrará seu fim, sem firulas.

Em menos de 72 horas, cada um seguirá seu rumo, como bons amigos que se despedem após um fim de semana incrível, na beira-mar, ao som de Natasha, de Capital Inicial. Afinal, não é disso que é feito o amor: antes de mais nada, respeitar a distância entre órbitas e desejar o melhor ao outro?

- Tu é tão carinhoso, sabia? — você me diz, com a voz doce.

De baixo pra cima, minhas mãos deslizam por tuas costas nuas, percorrendo o pescoço até repousarem em teus lábios. A luz da sacada flagra nossos olhares se encontrarem mais uma vez. Nada mudou em Vênus ou Marte, mas pra a gente, o efêmero tem seu valor. Ele deixa marcas singelas, como cheiros, lições, palpitação e olhos revirados... Isso basta. Memórias não têm prazo de validade.

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