A mágica do mundo

Naqueles pensamentos inocentes da infância, quando era pequeno eu achava duas coisas engraçadas: primeiro que os objetos tinham sentimentos, assim como as pessoas, e depois que os adultos sabiam muito bem tudo o que estavam fazendo.

Sobre a segunda parte, o mérito provavelmente é da minha mãe, mulher centrada, líder e que sempre me transmitiu extrema confiança. No entanto, hoje, depois dos 20, percebi que a maioria dos adultos não passa mesmo é de crianças um pouco menos autênticas e mais ansiosas. Com mais incertezas e menos esperança. Boa parte é ingênua, tem medo do que é novo e de viver o que não entende.

(Por enquanto) Eu (ainda) tenho esperança.

Outro dia, numa manhã sonolenta de outubro, li por aí em algum texto que um “bom adulto” é aquele que come coisas saudáveis, pratica exercícios e faz o máximo para regular o seu sono. Eu procuro fazer tudo isso, além de tentar não ser injusto com os outros, honesto comigo mesmo e gentil quando possível. Perdoar, compreender e ter paciência.

Mas, ainda assim, há dias em que as coisas ficam confusas, a respiração pesada e o silêncio violento.

Quando me percebo lacrimejando um pouco nos caminhos entre os lugares que devo estar, quando lembro os carinhos que quis fazer no seu rosto e dos olhares no fundo dos seus olhos que nunca aconteceram. Quando sinto que nasci sem missão e que a empatia morreu junto com deus, coloco a mão no coração e sussurro mentalmente, até me acalmar, que “eu sou um bom garoto e as coisas vão se acertar”.

Agora, nas percepções de um jovem adulto, digo que alguns objetos carregam consigo sentimentos, que não tenho certeza sobre metade do que eu estou fazendo e que nem me sinto de fato preparado para entender todas as coisas.

Humanizo ao máximo a vida, ofereço o meu melhor para os outros e me tranquilizo pensando que talvez o “não saber” faça parte da mágica do mundo.

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