A hipótese de Vitor — que regularmente ministra cursos de psiquiatria e psicopatologia na instituição, além de proferir palestras e publicar artigos no Brasil e no exterior— é a de que as teorias e práticas de Nise da Silveira encontram afinidade com a filosofia de Spinoza e com alguns recentes paradigmas epistemológicos surgidos na neurobiologia e na epigenética, tais como os propostos por Humberto Maturana e Francisco Varela. O que todos estes autores sugerem, a partir de distintos campos do saber, é uma concepção de sujeito vitalista, caracterizada por sua capacidade de recriação e regeneração. Afastam-se, assim, das concepções fatalistas da doença mental e em particular, da esquizofrenia, assim como de teorias reconhecidamente hegemônicas no pensamento ocidental e na medicina moderna, como o mecanicismo cartesiano. Vitor, ao propôr essa conexão, traz o trabalho de Nise da Silveira de volta para o campo da medicina e da ciência, levando a sério suas propostas e radicalizando-as em um novo contexto histórico através de uma pesquisa contínua e original.