primeiro de abril.
Já fazem praticamente 4 meses que venho buscando respostas para algo que eu não consigo entender, ou talvez até não consiga aceitar. Procurei válvulas de escape e diferentes caminhos para tentar me encontrar novamente. Durante esse tempo por diversas vezes estive convicto que eu tinha encontrado a felicidade novamente até dormir e acordar no dia seguinte com total vazio dentro do peito. Tentar se enganar com falsos momentos de felicidade só causa uma extrema sensação de infelicidade ao acordar no dia seguinte e perceber que o seu dia anterior foi uma farsa. Creio que pela primeira vez na vida sinto que alguns vazios não podem ser preenchidos. Minha vida se tornou uma montanha russa com noites que eu me sentia no céu porém acordava no chão procurando sentido em tudo que eu tinha feito e estava fazendo com a minha vida, e o pior de tudo, não encontrando resposta para isso. Os piores golpes de solidão que eu senti foi quando eu estava rodeado de pessoas vivendo uma vida que eu não queria, mas achei que precisava ter para preencher o tal vazio. Bocas, corpos e almas que não se importam em saber se eu consegui chegar em casa ou sequer se estou bem. Eu não julgo pois talvez estejam se sentindo tão perdidos quanto eu. O rancor pode ser algo devastador se você não souber lidar com isso, e só eu sei o quanto guardei dentro de mim pensando que isso pudesse fazer com que eu superasse uma perda. Eu quis provar a mim mesmo que eu iria seguir em frente sem culpa pois era isso que eu merecia, por saber o que eu fiz, o que eu lutei e dos meus acertos. Mas eu esqueci que meus acertos não são algo que eu deva me vangloriar, mas sim que possam ser lembrados a quem eu possa ter contribuído positivamente de alguma forma. Então eu apaguei os holofotes que pus sobre mim mesmo tentando da forma mais falha possível massagear meu ego para que eu pudesse me sentir bem comigo mesmo, achando que eu valho mais do que me deram valor. Eu decidi abraçar meus erros, os quais esses sim nunca devem ser esquecidos. Dessa forma, eu extingui o rancor de mim e finalmente pude me sentir mais leve, porém, ainda incompleto. O vazio insubstituível é algo que eu confesso não saber como lidar ou o que fazer para que eu realmente possa ter momentos reais de felicidade nos meus dias. O meu vazio hoje é intocável e irreparável. Mas hoje ele não é um vazio que me suga, que tira meu sono, ou que me faz acordar me sentindo no chão. Eu não quero preencher esse vazio pois ainda que seja doloroso, a série de coisas que me aconteceram pra chegar a isso me moldaram e me tornaram no que sou hoje. E eu me orgulho do que sou. Ainda tento encontrar respostas pra muitas perguntas, ainda tento encontrar a paz de espirito e a melhor saúde mental. Eu ainda tenho flashbacks, eu ainda tenho sentimentos, eu ainda tenho até a saudade. Mas seguirei minha caminhada na espera de algo que seja novamente real ao invés de outras noites que minha vida seja uma montanha russa que eu entro em uma queda sem fim e acabo de cara no chão. Eu não quero me machucar novamente, e menos ainda machucar alguém. E amanhã quando eu acordar, só por ter escrito isso, eu já não estarei mais no chão.
