Somos todos Tiririca

(Fonte: Liberty Voice)

Dá pra acreditar?

Essa pergunta aí de cima é bem ambígua.

Estou falando do impeachment? Estou falando da Islândia?

Estou falando da nossa passividade, nosso pacifismo diante do absurdo?

Estou falando do nosso ódio coletivo por uma pessoa pra mudar o país?

Estou falando da nossa falta de espírito coletivo para coisas realmente boas?

Estou falando da celebração da votação mais vergonha-alheia da história da humanidade?


Um país que celebra vitórias com ironias do tipo “tchau, querida” está indo pra um lugar melhor?

É o mesmo tipo de celebração, de vibração que sentimos quando celebramos a conquista de direitos?


Tem um fato pouco difundido e pouco divulgado no mundo.

Ele me intriga, me dá esperança e me deixa muito decepcionado com meu país, eu muito incluso:

Enquanto o impeachment é assunto internacional, tem notícia antiga que muitos desconhecem.

Poucos sabem até hoje, porque notícia boa não faz sucesso, é que a Islândia, depois de quebrar com uma fraude bancária, criou um conselho popular para reescrever a sua própria constituição.

Veja um artigo aqui e outro aqui.

Talvez, no gradiente entre se fazer de palhaço e não se fazer de palhaço, islandeses e brasileiros estejam em pontos bem opostos.


Pergunto-me: por que aqui não?

Por que aqui a coisa pública é um quintal que não é nosso?

Por que a gente faz manifestação apontando o dedo em vez de assumindo nossa responsabilidade e exigindo representatividade?

O nosso maior gesto coletivo de transformação em 2016 vai ser “tchau, querida”?

Aqueles deputados realmente te representam?



A dor é nossa.

Como é doloroso merecer essa educação, essa política, essa seca, essa crise.

O que fizemos pelo Rio Doce, pela Sabesp, pelos estudantes das escolas públicas, pelos rumos da política, pelos manifestantes pacíficos que sofreram violência policial?

O que você fez?

Sinta o mérito desse fracasso você também. Essa falta de amor, esse retrocesso, essa desinformação, essa taça é toda nossa. Minha, tua e de todos.

Vamos levantar essa taça.

Somos todos Tiririca.


Sou o Vitor Takeshi, sou facilitador e language coach. Você já é, mas tá difícil fazer direito. Vamos juntos que é menos dolorido!

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