Inferno pessoal.

Eu pulei, soltei, e chorei, não tive opção, não deu para ter medo, só tive que ir. Depois do precipício, imaginei uma queda feia, que destruiria meus membros. E foi pior, a dor física seria meu melhor remédio, igual essa que tô sentindo agora esperando minha medicação.

Eu não sei para onde você foi, em que lugar está agora, só que quanto mais se transborda mais se afunda. O álcool vai ser sua morfina, vai te manter em pé por algumas horas e depois volta tudo pior. Do que adianta isso? Para não chorar, e se magoar ainda mais.

Estou no meu inferno pessoal, na floresta que quero tatuar em meus braços, tendo que viver todos os dias a mesma coisa, como uma fita arranhada, passa as mesmas imagens, é tanta lembrança, tanta coisa que não sai da minha cabeça. Eu recuperei minhas asas de pássaros, mas elas estão machucadas tô atrás de cada pena, não consigo voar alto, então como sair dessa floresta? Como bater as asas? É uma dor sem fim, ora vem, ora vai, às vezes a gente acha que já esqueceu, mas dá de cara com tudo de novo, pareceu que não adiantou nada ficar longe, foi como no seu texto, as lembranças sempre voltam, é na noite que eu sinto mais, quando eu acordo, quando tomo banho, às vezes raiva, às vezes saudade, às vezes dor, sinto tudo ao mesmo tempo e não sinto nada. Deixa eu sentar aqui, e observar o horizonte, uma hora minha asas estarão fortes para voar. Ou alguém vem me salvar.

Ainda vai sorrir quando eu for teu único motivo?
Ainda vai ouvir o que eu digo mesmo quando eu só quiser falar de amor?
Ainda vai tentar me entender quando eu não fizer mais sentido
E ficar comigo quando tiver visto o pior lado de quem eu sou?
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