Quando me olho no espelho por trás dos meus olhos eu me enxergo, pela frente dos mesmos eu me nego. Me nego e me rasgo. Me nego e me envolvo na auto-destruição. E grito em mim. Explodo-me. Sou uma nesga grossa do meu passado, de uma ausência, de uma negação jovial de si própria. Sou uma névoa que paira e que demora de ir. A minha história me persegue, não tenho como fugir. Às vezes ela me rasga, me consome o juízo, me apaga o riso e faz chorar. E sou triste, me ponho triste e me enfrento. Tempestuosa névoa, peço-a que se vá para todo sempre desta vida. Tempestuosa insegurança, medo que lamenta, peço-a que se vá, uma por uma para longe de mim. Peso pesado, dor calada. São meus problemas, são minhas lutas. Mas hoje acredito que sozinha eu não consiga, mas diga-me, quem poderá me ajudar? Pelos olhos da frente, quando me olho, eu não acredito. Eu me nego. Quando olho-me nos olhos, no profundo da minha existência eu me enxergo ao longe, embaçada, chuvosa. Eu me olho bonita, mas eu não me enxergo assim. Quem me dera ser a minha rainha. Quem me dera amar-me como eu desejo o meu auto-amor. Se auto destruir é mais simples. Amor de mim, como ainda não aprendi a caminhar até a ti, venha até mim, essa distância me corrói, então chega perto, me empurra, me derruba, me faz acordar e me perceber grandiosa.
queria amar-me tanto quanto me auto-destruo.

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