Depressão?

Eu gosto muito desse desenho, acho que é do Picasso.

Meu nome é Vinícius e eu não faço a mínima ideia de como eu escrever o seguinte(eu não sei nem mexer nessa plataforma de escrita), mas eu acho que é de extrema importância pra mim que eu publique algo a respeito.

Começou tudo a piorar em 2015, antes eu já tinha semanas (ou até meses) que eu me sentia pra baixo, mas no início desse ano eu tinha ido pra um curso da faculdade que não me agradava e eu andava totalmente desanimado pra fazer qualquer coisa da vida. Mas a depressão não é uma coisa que começa de uma hora pra outra, no início são coisas pequenas como insônia, falta de energia, falta de vontade de comer, falta de atenção, coisas que conseguiria conviver, então escolhi ignorá-las. Mas conforme os meses foram passando aquelas pequenas coisas iniciais começaram a se transformar num problema, o cansaço e a tristeza começaram a se transformar em angústia, como se fosse uma dor de cabeça que eu dizia pra mim mesmo, todo dia, que ia passar, que era só mais um dia ruim.

Mas não é, eu fico preso nesse pensamento, coloco uma espécie de máscara social e continuo vivendo com as outras pessoas.

Por que?

Porque é isso que você tem que fazer, é isso que todas as outras pessoas fazem, não é?

Mas o problema não vai embora assim tão fácil, a necessidade de fingir todos os dias e pra todas as pessoas começa a custar mais e mais da minha força. Essa é a parte em que cai0 ainda mais nesse vazio e vagarosamente começo a me afastar de amigos e familiares, às vezes até me desligando deles completamente.

Toda a satisfação se foi. As pequenas coisas que antes traziam alegria agora são inúteis e até as tarefas mais rotineiras se tornam dolorosas. Daí vem a falta de motivação, eu parava e pensava:

pra que você vai continuar tentando se nada te deixa feliz? Tudo isso te deixa ainda pior e você cai em um ciclo vicioso…

De repente me encontrei vivendo em câmera lenta, os dias parecem intermináveis, tudo como uma tela branca, nada desperta a minha atenção. O que eu sinto é como que eu nunca vá ser feliz de novo, minha mente sempre estourando de pensamentos e o corpo jogado, imóvel, inútil. Tudo se torna pesado. Eu continuo me afastando de todos, destruindo qualquer tipo de relacionamento que poderia se formar. Conviver com outras pessoas se torna um desafio quando você se sente assim.

Mas há uma parte de mim que quer consertar tudo, às vezes vem uma força, como se fosse uma explosão, que quer fazer com que eu saia, com que eu conheça gente nova, que eu cative as pessoas que sempre convivi, mas, como eu disse, é como se fosse uma explosão, é apenas um BUM e logo tudo volta do jeito que era antes, como se nada fosse adiantar. As coisas que deixam as outras pessoas animadas não me cativam, então eu percebo a enorme lacuna que me distancia dessas outras pessoas. Fracassar não é mais uma opção, fracassar é como se fosse o fim da linha, então quando surge o risco de fracassar na vida, prefiro continuar na minha zona de conforto, aonde ninguém faz perguntas, aonde eu ponho a minha máscara e sou tratado como uma pessoa normal, com problemas de pessoas normais.

A baixa auto estima e a falta de propósito em tudo o que faço da vida começaram a se tornar insuportáveis e eu percebi que não podia continuar nesse caminho de angústia e então existiram duas opções na minha frente:

  1. Busco ajuda
  2. Tiro minha própria vida (calma amigos, trevolixto gótico sempre falou com vocês brincando, o caso aqui é em outra parte da vida)

Então em setembro de 2015 eu juntei um dinheiro (escondido) e fui numa consulta em um psicólogo ao invés da aula na faculdade.

Você me pergunta: qual o motivo de ir escondido? Por que não falar pra ninguém?

E eu respondo que é preocupante o número de vezes que passa pela minha cabeça por dia como eu vou ser julgado pelas pessoas, por causa da vergonha do que elas vão comentar de mim e da marca que isso deixaria em mim eu sempre tive medo de ser descoberto, afinal, tudo isso ainda é tratado como um tabu pra maioria das pessoas.

Agora voltemos a setembro de 2015, quando fui ao psicólogo, chegando lá, ele me fez algumas perguntas, mas duas marcaram

  • Você se sente chateado o tempo todo por se sentir deprimido e desesperançado?
  • Durante o último ano você passou a sentir falta de interesse nas atividades?

Nas duas perguntas eu respondi que sim, então, depois de mais algumas perguntas, ele virou pra mim e disse:

você tem depressão

Só não digo que foi chocante porque era algo que eu já esperava, mas eu queria, eu precisava ouvir de alguém que soubesse do assunto. Logo depois ele disse que eu deveria começar uma série de consultas e saber mais a fundo como tratar.

Eu não aguento mais viver com esse vácuo dentro de mim, ver as pessoas alegres e achar na alegria delas a inutilidade da minha existência, eu não aguento mais viver cada dia sendo obrigado a ter uma força sobre-humana pra chegar até o fim, não aguento mais ter que carregar o peso dessa máscara e fugir dos problemas que o uso constante dela me traz.

Quero ter força pra abraçar os meus problemas, mas, apesar de ter ficado cada vez mais difícil, eu sempre tive medo de que, no final, eu tivesse que ser tratado com medicamentos (os mesmos sempre me aterrorizaram), tenho medo de que me afetem de alguma maneira ou que eu me torne dependente deles pelo resto da vida.

Eu tenho medo porque eu quero viver, eu quero me sentir como uma pessoa normal, eu quero esquecer do meu passado, de tudo que me causou dano emocional porque eu sei que minha vida iria melhorar se eu pudesse aumentar minha auto estima e deixasse de lado meus próprios tabus, mas é muito mais fácil escrever tudo o que eu sinto, tudo que eu quero, do que enfrentar.

Enfim, esse é um texto que fiz pra expor o que senti e continuo sentindo, pra de alguma forma explicar o afastamento que tive com algumas pessoas ou a minha eterna mania de começar a fazer algo novo e deixar de lado antes de terminar. Aos que lerem e entenderem o que passo, o meu muito obrigado.