Eu não entendi.

Acho que essa foi a frase que meus amigos mais escutaram depois desse término. Eu ainda não entendi, mas aceitei. Eu não entendi como você pode me deixar acreditar que havia amor da sua parte. Eu não entendi como você pode me dar aquele abraço apertado e afirmar que queria permanecer meu amigo – pra depois me tratar como se eu fosse nada. Um lixo. Peça descartável. Invisível. Eu ainda não entendi como a pessoa com que eu convivi tantos meses – e que eu tanto admirei – pôde se mostrar alguém tão pouco. Eu estava do seu lado, parada. E você nem sequer deu bom dia. Após o fim, eu não fui atrás de você. Eu não te liguei. Eu não te procurei. Eu não curti as suas fotos na rede social. Você mandou mensagem. Você curtiu. E dias depois decidiu me bloquear da sua vida de todas as formas que achou possível. E eu, adivinhem só… Eu continuei sem entender. Que mal eu poderia ter feito a você pra que agisse assim? Que mal eu fiz pra que você me tratasse como se não me conhecesse? Me diz. Porque se alguém tinha que te ignorar nessa história, esse alguém era eu. Mas não. Porque eu escolhi não sentir raiva de ti. Você partiu meu coração em pedacinhos e eu tive – e ainda tenho – de catar meus cacos pelo chão. Sozinha. Porque por mais que meus amigos tentassem me dar apoio e me ajudar a me reerguer – e como eu sou grata a cada um deles por isso – eu tive de fazer isso sozinha. Por mim. E por meus pais. Porque você não se importou se eu me sairia bem nas provas da semana seguinte. Você não se importou se eu me sairia bem na prova da liga de infectologia. Você apenas se importou com seus próprios problemas. Você só se importou em não ter se adaptado. Você só se importou em estar sendo prejudicado. E até hoje eu não entendo como eu te prejudiquei. Aliás, nem você soube se explicar. E se nem você mesmo consegue se entender, por que eu deveria tentar te entender ainda?

Eu não entendi ainda quando tudo se perdeu. Eu não entendi ainda porquê tudo se perdeu. Mas eu sei que Deus fez o melhor pra mim – e isso sim eu entendo. Quando você olhou nos meus olhos e disse que não sentia mais o mesmo de antes, eu não entendi, mas recuei. Mas, quando você entrou por aquela porta da biblioteca, deu bom dia à nossa amiga e não se referiu a mim, ah eu entendi. Eu entendi que não era pra ser você. Eu entendi que eu merecia mais. Eu entendi que não valia a pena chorar por você. Eu entendi que não foi você quem me tirou da sua vida, mas sim Deus quem te tirou da minha. Porque eu sempre fui muito pra você. E você, no entanto, continuou a ser pouco, mesmo depois do fim.

11 de Maio.

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