Um texto sobre mim depois dele.

Dizem que quando a gente não fala mais – ou não escreve mais – sobre alguém ou algo, é porque superamos.

E há dias eu me vejo em um bloqueio de escritora, se assim posso dizer. Desde que escrevi o último texto, há 20 dias atrás, não consigo mais escrever. Até começo, mas é como se não fosse eu. É como se algo me freasse para não falar dele. Os últimos dias tem sido bons. Muito bons, pra ser sincera. Tenho me aproximado muito mais de Deus, orado mais, conversado mais com ele e com Nossa Senhora. Aprendi a respeitar as minhas escolhas – principalmente a entender que sou muito, mas muito abençoada. Sem medo ou vergonha de afirmar a fé que tenho. Pois ela é linda e me move todos os dias – a ser alguém melhor.

Tenho praticado mais a gratidão – ser mais grata por tudo que tenho, pelas pessoas que estão comigo, por cada benção recebida.

A partida dele me fez entender que eu já era feliz antes de tê-lo por aqui. Continuei a ser feliz com ele. Mas consegui ser mais feliz depois dele. Por mais que nas primeiras semanas eu tenha duvidado que fosse ser capaz de me sentir feliz novamente – em meio às lágrimas dos choros que teimavam em persistir por aqui.

Dois meses depois que ele se foi, eu consigo me olhar no espelho e me amar mais. Eu me amo mais. E sou mais feliz comigo mesma. Pois aprendi a amar cada parte de mim. Aprendi a respeitar meus limites e a superar outros. E, sem dúvidas, um dos maiores ensinamentos que a partida dele me proporcionou foi descobrir que sou muito – mas muito mesmo – mais forte do que pensava ser. Aquele aperto forte no coração que eu senti por tanto tempo no primeiro mês, hoje não me atormenta mais. E que lindo constatar isso. É lindo perceber que realmente toda dor passa – e que o amor sempre será a cura pra toda dor. E dessa vez, foi o amor próprio. E o amor de Deus que me permitiu me conhecer mais. E amar mais essa pessoa que existe dentro e fora de mim.

Eu tenho saído mais com meus amigos, dançado mais, dado risadas mais sinceras. Tenho dado mais amor às pessoas próximas a mim. Tenho amado mais a vida que Deus escolheu pra mim. Tenho sido mais sincera comigo – e com os outros. E mais que isso, tenho compreendido que é melhor ficar algum tempo com o coração partido do que ter uma vida inteira de decepções.

Não é que eu tenha deixado de pensar nele. Eu ainda desejo que ele seja feliz. Ainda desejo que a família dele esteja bem. E ainda penso nele algumas – raras – vezes ao longo do dia. Mas isso se torna muito pouco quando me dou conta de que ele não é mais o meu primeiro pensamento ao acordar.

E de repente, me dou conta que escrevi muito. Não sobre ele, mas sobre mim. E um sorriso brota em meus lábios. Porque crescer dói – às vezes dói até demais – mas nada é mais recompensador que entender que nada acontece por acaso e que – definitivamente – tudo coopera para o nosso bem. Para o bem de quem ama e segue os ensinamentos de Deus, com amor e por amor.

E talvez eu ainda não tenha superado totalmente a partida dele ou a dor que ele me causou após o fim. Mas, sem dúvidas, eu superei grande parte dessa dor. E cresci. Feliz.

21 de Junho.

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