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Falar de quem amamos e agora habita outro plano, é também falar de amor. Escrevi essa carta há mais de duas semanas e fiquei enrolando, em dúvida se postaria. É difícil entrar no assunto quando seu tema é a vida, os encontros e as celebrações. No entanto, mesmo no altar sempre há lugar para aqueles que agora estão conosco de outra forma. Neste espaço não seria diferente.

No último ano, mais do que nunca, vi noivas, amigas, primas, pessoas da família dizendo adeus a seus amores. E também me despedi de alguns. …


entre o som e o silêncio
entre o dizer e o fazer
entre o falar e o ouvir
há algo de inapreensível, de inefável
há o sentir

a coisa que alguns chamam de tudo
a chama que alguns clamam pelo mundo
o inominável que planta borboletas no dentro
o que nos une não nos explica

de tudo que poderia haver na existência
escolhi o todo abrangente que me dá seu olhar
pode ser amor, pode ser liberdade, pode ser amanhã

eu só chamo de você.

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há tanta dor no mundo
tanta ausência de cor e um profundo
desespero de viver
não sei como não morro a cada cinco minutos
não sei como não corro para o escuro todo oculto

há tanto sofrer que me doem os cotovelos
e os olhos ardem secos
incapaz de chorar oceano sigo árida
por dentro tanta clareza
naquilo que me fere

ofusca o agir e impulsiona um único movimento
despejar palavras
dizer o que ninguém tem coragem ou vontade
aquilo que do centro nos afasta
já larguei dores por milhares de laudas

tantas que não me sinto pessoa
sou chaga aberta…


descobri que sou forte
de uma força estranha
que nasce do estômago
sai daqui de baixo e sobe borbulhando
esôfago afora
feito fel e vômito
rasgando a traqueia
de medeia tagarela

suporto gosto amargo
degusto desgosto
mastigo muco
engulo de novo
aguento o cipó odioso
que paralisa minha marcha
e me ajuda a ficar de pé
sem correr o risco de fugir dessa vida

essa força pedala em mim quilômetros de futuro
pisa no dia a dia, ignora a descrença
é uma força que causa indiferença
força na doença, força risonha
tirando sarro da fraqueza alheia
daquelas fraquezas de quem não se descobre forte
daqueles que têm sorte
de quem pode ignorar a própria morte

é a força das amebas atômicas
que resistem em meio ao limbo
bactérias do lixo
vermes à beira do precipício
não morro não corro não sofro
só me fortifico.

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De folheto publicitário a dissertação, já fiz todo tipo de trabalho de escrita. Não vou colocar tudo aqui, vocês não merecem ver quanta coisa estranha foi preciso eu escrever antes de produzir alguns textos mais relevantes. Vou colocar o principal e um pouco de cada estilo para relembrar e mostrar um outro lado da poeta Viviane de Freitas: a Viviane Lopes jornalista, publicitária e estudante. ❤

O discurso Literário em Circulação: uma análise a partir de Cidade de Deus, de Paulo Lins • Dissertação de Mestrado em Análise de Discurso Defendida em 2017, no IEL-Labjor Unicamp

Como Roteirista e Redatora…


ela é narradora
ele é personagem
juntos colocam ação nesse
romance contemporâneo

ela é quem conduz a ação
ele dá voz silenciosa aos diálogos
juntos constituem um discurso
de amor enviezado

o roteiro é provável
conheceram-se no trem
trocaram mais do que olhares
perderam-se em algumas estações
reencontraram-se após repetidas paradas sofridas

vivem agora um meio feliz
do fim ainda não se sabe
pode ser, pode não ser
talvez mais do que ser no futuro
beijam no dia o destino sorrindo

amam-se com intensidade
entre uma realidade e outra
estranham-se
para depois, ao final exaustivo de pequenas batalhas
subirem no vagão que os reconduz ao ponto de partida

é romance cotidiano,
com sono cansaço e problemas de comunicação
desses que não viram filme
mas nos alimentam de fé no amor
ele existe.

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ela é narradora
ele é personagem
juntos colocam ação nesse
romance contemporâneo

ela é quem conduz a ação
ele dá voz silenciosa aos diálogos
juntos constituem um discurso
de amor enviezado

o roteiro é provável
conheceram-se no trem
trocaram mais do que olhares
perderam-se em algumas estações
reencontraram-se após repetidas paradas sofridas

vivem agora um meio feliz
do fim ainda não se sabe
pode ser, pode não ser
talvez mais do que ser no futuro
beijam no dia o destino sorrindo

amam-se com intensidade
entre uma realidade e outra
estranham-se
para depois, ao final exaustivo de pequenas batalhas
subirem no vagão que os reconduz ao ponto de partida

é romance cotidiano,
com sono cansaço e problemas de comunicação
desses que não viram filme
mas nos alimentam de fé no amor
ele existe.

Photo by Dương Hữu on Unsplash

dedico todos meus textos aos analfabetos

aos disléxicos e cegos
aos dementes e bárbaros
aos bêbados e gagos

aos surdos,
dedico meus berros

ignorantes,
não fiquem emputecidos
a vocês reservo poemas falsos
e sentimentos parcos

linhas tão mal escritas
só podem ser compreendidas
por quem anda pelo acostamento da vida.

Photo by Anh Vy on Unsplash

Viviane De Freitas

Viviane de Freitas é uma pessoa que escreve para sobreviver. Poeta, jornalista, tradutora do amor na @escrevaumacartapramim e autora de Poesia de Geladeira.

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