A repentina vida adulta
Você só percebe que é adulto depois de um bom tempo nesse cargo. E o choque é grande. A sensação é de que você se tornou isso da noite para o dia. Há dois tipos de sintomas. Aqueles que a vida mostra — estes costumam chegar primeiro — e aqueles que nós mesmos percebemos.
A vida começa a nos empurrar responsabilidades que antes não tínhamos. As pessoas começam a nos cobrar estabilidade financeira, amorosa, psicológica. Todos começam a esperar que você pare de tomar Nescau, de assistir Chaves e de usar All Star. Se você é solteiro, as pessoas começam desconfiar da sua sexualidade. Se você namora, ou culpam seu parceiro por estar te enrolando, ou culpam você por estar enrolando seu parceiro; de uma forma ou de outra, te exigem um casamento. Se você mora com os pais, hora de ralar peito. Se não tem um trabalho fixo: vagabundo. Resumindo: é hora de tomar TENÊNCIA.
Mas os piores sintomas são aqueles que você mesmo percebe. Seu corpo já não tem lá aquela flexibilidade. Você não aguenta mais com tranquilidade virar uma noite na balada e estudar pruma prova no dia seguinte. Começa a ser realmente desagradável alguém fumar perto de você, despertando aquela rinite — que você carrega desde a infância, mas que parece MUITO pior agora que você é adulto. O Baile de Favela alto do vizinho, enquanto você tenta, em paz, assistir o seu Breaking Bad, incomoda de verdade. Aliás, o Netflix vira seu melhor amigo.
Todos me dizem que dos 20 aos 40, o tempo passa tão rápido que um dia você acorda tentando lembrar onde foram parar alguns 20 anos da sua vida. Espero sinceramente, devotamente, que isso seja apenas alarmismo da terceira idade.
ATENÇÃO: a relevância deste texto é bastante questionável.