Hoje a gente ia se ver. Eu tentei não ficar animada, mas lá no fundo quem eu queria enganar? Eu estava muito ansiosa pra te rever. E aí eu percebi que já sinto saudade de você. Só 3 semanas e eu já sinto a sua falta. Falta do teu nome na tela do celular e do teu cheiro na minha casa. Bizarro, né? Pois é, também achei. Mas é, acho que a culpa é minha. Também é sua. Mas é minha. Eu que tenho essa mania de sentir demais. Sabe? Eu sinto demais. Não sinto aos poucos, nem pela metade e muito menos consigo entender essas pessoas que conseguem sentir tão pouco ou até mesmo nada. Eu sinto demais e sinto você. Sinto sua presença quando fecho os olhos e recordo nosso primeiro beijo. E o segundo, o terceiro, o quarto… Sinto demais. No meio desse meu sentir demais, fiquei triste quando você disse que não poderia vir mais hoje. Doeu, sim. Mas eu não chorei. Porque te entendi perfeitamente: nós sempre vamos priorizar nossos estudos. Mas eu adiantei tudo porque ia te ver. Porque queria aproveitar o máximo de tempo contigo sem me preocupar com as funções de cada estrutura do encéfalo. Adiantei tudo e fiquei só. Sozinha com a vontade de te ver, de te ter, de te sentir. E como se não bastasse, me deixei ser curiosa demais. Entrei na tua rede social e vi alguém comentando sua foto. Vários elogios. Aí me questionei quem seria ela. Que papel ela teve ou tem na tua vida. Me perguntei se você realmente sentia saudade daquela pessoa. E o quão intensa era essa saudade. E como nós estamos nesse impasse – de sermos nós ou não – me odiei por sentir ciúmes de ti. Me odiei porque não tenho o menor direito de sentir isso. Logo eu que sinto demais.

E então decidi te mandar mensagem. Um precisamos conversar urgente amanhã. E você aceitou, mas perguntou se era muito sério. Claro que é sério – essa foi a minha vontade de te responder. E respondi. Porque é muito sério! É o que eu quero que nós sejamos, que nós tenhamos, que nós vivamos: um relacionamento sério. Eu e você. Sabe? Preciso saber se tudo o que eu quero, você também quer. As viagens para o interior, as reuniões de família, as idas à livraria, as tardes na minha casa. Preciso saber se você está mesmo comigo nessa, Owen. Preciso enxergar isso no teu olhar, sentir isso no seu corpo junto ao meu, acreditar quando as palavras saírem de tua boca. Porque não quero te dividir. Não quero teus passos em outros passos, teus braços em outros braços, como já dizia a canção. Quero que seus braços queiram os meus e que meus passos acompanhem os teus. Juntos. Eu e você. Não se assusta. É que eu preciso saber. Só isso. Saber se você quer de verdade ficar de vez aqui. Porque eu quero tanto que você fique.