Cansei de comprar!

Por que eu me propus a ficar um ano sem comprar roupas

Vivianne Lopes
Sep 2, 2018 · 4 min read
Photo by Becca McHaffie on Unsplash

Desde criança, eu jogo lixo no lixo e respeito a natureza. Por seguir à risca essas duas regras mínimas, eu acreditava que já estava cumprindo minhas obrigações para com o meio ambiente.

Como fui criada em uma área altamente industrial, a qualidade do ar e os níveis de poluição sempre me preocuparam, mas eu não achava que houvesse muito que eu pudesse fazer a respeito disso.

Nunca me vi como um grande agente poluidor do mundo. Na verdade, não sei se cidadãos comuns são os que causam os danos mais graves ao planeta. Porém, de uns tempos para cá, tenho reconhecido que posso fazer mais do que simplesmente jogar lixo no lixo.

Há algum tempo, meu interesse em sustentabilidade tem crescido. Eu tenho tentado compreender como eu, ao incorporar novos hábitos, posso me tornar mais sustentável para o planeta e para mim mesma.

Recentemente, eu descobri que a indústria da moda é altamente poluidora. E essa informação me chocou profundamente. Eu não fazia ideia de que para produzir uma peça de roupa se gastava litros e litros de água e muito menos que produtos químicos para colorir os tecidos eram grandes poluidores do meio ambiente.

Eu passei a vida toda me refestelando em promoções nas fast fashion, descartando tecidos em lixo comum, sem fazer ideia de que eu poderia estar causando mal ao planeta. Então, por que essas informações não são amplamente divulgadas? Está aí algo a se investigar.

Além do choque dessas descobertas, há mais de um ano, vivo uma fase de muitas reflexões e questionamentos. Tenho tentado entender quais são as motivações por detrás das minhas decisões, inclusive, quando se trata dos meus hábitos de consumo.

A minha relação com a moda

Desde muito nova, eu amava comprar roupas. Eu ficava muito feliz quando minha mãe saía e voltava com alguma peça para mim. Na adolescência, ter certas roupas e sapatos garantia atenção e elogios de pessoas que eu queria que me notassem. Alguns anos mais tarde, eu via minhas roupas como uma maneira de “ser alguém”, de “ser mulher”.

Eu nunca fui de seguir tendências religiosamente, mas já comprei muita coisa porque estava na moda. Devido às condições de pagamentos flexíveis e o preço mais acessível, sempre adquiri maioria das minhas roupas em grandes lojas de departamento. Portanto, passei maior parte da minha vida financeira pagando parcelas e parcelas de cartões em vez de investir meu dinheiro de uma forma mais lucrativa.

Outra questão é que eu sou uma vítima fácil de promoções. O fato de uma peça estar com um super desconto sempre fez com que eu achasse que comprá-la era uma oportunidade. Muitas vezes, eu só percebia que tinha feito um mal negócio depois de algum tempo tentando usar a peça sem conseguir. Ainda hoje, tenho mais de um exemplar desses no meu armário.

Eu adoro a sensação de armário cheio, de ter muitas opções. Chegar em casa com uma sacolinha cheia de novidades, enche meu coraçãozinho de alegria. Fico imaginando todos os looks que montarei com as peças novas e como vou ficar maravilhosa dentro deles. Essa sensação trazida pelas compras é algo que faz com que minha autoestima se eleve um tanto e, mesmo não sendo duradoura, posso afirmar que ela é um dos principais fatores que me mantêm comprando mesmo quando não posso.

Por que ficar um ano sem comprar roupas?

Há vários motivos para eu ter me proposto esse desafio. E pensar que a palavra que eu estou usando para descrevê-lo é “desafio” já me gera uma série de questionamentos. Por que, mesmo com um armário cheio de roupas, ficar um ano sem comprar roupas é algo desafiador para mim?

Nesse um ano sem consumir, eu quero entender quais são os gatilhos que me fazem ter o desejo de comprar. Quero olhar para mim e descobrir o que eu busco quando chego à conclusão de que preciso muito de uma peça de roupa ou sapato.

Outro objetivo que pretendo alcançar é construir uma relação diferente com as peças que eu já tenho. A minha intenção é saber, dentre tudo que ocupa meu armário hoje, o que deve ficar e o que deve ir. Para isso, ao longo desse ano, vou usá-las novamente, combiná-las de maneiras diferentes e talvez reformá-las. Dessa forma, vou dedicar um tempo a conhecê-las melhor e, se não estabelecermos uma relação, vou passá-las para frente.

Por último e não menos importante, quero reservar esse um ano para entender melhor o processo de produção de roupas e por que algumas marcas são mais sustentáveis que outras. Eu tenho visto muito discurso sobre consumo consciente e eu quero ter tempo para analisar o que serve e o que não serve para mim.

Instagram: Cansei de Comprar!

Para registrar o processo de ressignificação dos meus hábitos de consumo de roupas, decidi registrar tudo no Instagram @canseidecomprar e, eventualmente, também vou escrever por aqui o que eu acho que vale um textão. Vou usar a tag “Cansei de comprar” para ficar tudo juntinho e mais fácil de achar. Assim, vou ter um histórico de tudo o que eu senti ao longo desse um ano e também vou poder trocar com pessoas que estão passando por situações parecidas.

Se você gostou da minha iniciativa, me apoie. Há várias maneiras de me ajudar:

  • Você pode dar palminhas para esse texto.
  • Você pode me seguir.
  • Você pode comentar aqui e/ou compartilhar esse texto nas suas redes sociais.
  • Você pode seguir o @canseidecomprar no Instagram e divulgar para seus amigos.

Se você fizer qualquer uma dessas coisas, eu vou ficar imensamente feliz!

Vivianne Lopes

Written by

Campeã em altos e baixos ao longo das 24 horas do dia. Diariamente luto contra a procrastinação. Estou virando o jogo.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade