Esqueça.

A vida é engraçada.

É curioso pensar que choramos aos prantos dos médicos ao nascer, choramos pela vida que acabou de se encarnar, pelo início. O começo de uma história que irá se repetir por toda eternidade. Choramos como condenados e essa é a principal função do ser humano. É do início que se concretiza o meio e o fim.

Do meio somos pegos de surpresa. A vida já amadureceu o suficiente para transmitir uma personalidade que crescia junto a ti. Vivemos da maneira que aprendemos mas nunca o suficiente para evitar o drama. A doçura já não faz parte do nosso interior, é diferente.

Fechamos os olhos para tentar evitar o inevitável. A ignorância marcava o que não poderia ser esquecido. Mas tudo estava lá: a felicidade e a tranquilidade. A vista que perambulava pela janela ao amanhecer foi se apagando com a chegada da chuva. Aquela que representava o que os nossos olhos sentiam. Mas foi cedo demais para impedir.

O contentamento já não existia. As conversas foram diminuindo e a saudade foi marcando cada vez mais forte dentro de mim. Eu não pedi por isso. Eu nunca vou esquecer. Nunca vou me arrepender. E se tudo fosse diferente?

O que antes se fechava de amargura, se fechará por amor. Ou melhor, o que eu achava que fosse. Você se foi e eu nunca vou esquecer. Será que deveria? Pois é, o meio também foi mudando, as histórias se tornaram mais conturbadas. Preocupações novas, pessoas novas, mas e os choros? Esses são antigos. Mas uma coisa é certa: ela marcou o fim em nossa vida.

Chegamos ao fim de uma história que nunca começou, o fim de quem me marcou. Por que você fechou os olhos para mim? Por que você não me diz uma só palavra, pela última vez, para mim? Me pergunto se algum dia você se arrepende. Você esteve fora, você se foi quando soube.

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